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Rafael Silva, uma das principais promessas da base, deixa o Coritiba

Notícia no jornal Metro

Notícia no jornal Metro

Deu no jornal Metro de hoje, página 17.

Este blog lamenta muito essa informação, e também a falta de notícias no sítio do Coritiba e nos blogs que cobrem o verdão. Eu vi a notícia no Metro, e saíram apenas comentários bem sucintos no Coxanautas (aqui e aqui) e no Globo Esporte.

Eu vi o Rafael jogando algumas vezes, em todas achei ele muito bom. Sempre efetivo, partindo para cima dos adversários, mostrando boa velocidade, bom drible e bom passe. Junto com Tiago Primão, Zé Rafael e outros grandes jogadores que vem sendo formados na base nos últimos tempos, Rafael Silva teria um grande futuro no Coritiba.

Na minha opinião, tem muito mais qualidade para jogar do que Arthur, Julio Cesar, Anderson Aquino ou Geraldo.

Perder um jogador deste nível é um erro crasso, e o Coritiba vem cometendo vários assim. A gente sempre desconfia de qual a motivação da diretoria em contratar jogadores de outros clubes, a maioria sem grandes qualidades, e desperdiçar os maiores talentos formados na base.

E o pior é que ele sai assim, liberado de contrato. Ainda se você vendido num grande negócio dava para entender.

De qualquer forma, como dizem as notícias que eu linkei aí em cima, se o Coritiba não pretende escalar o jogador nunca, como vem fazendo, melhor mesmo liberá-lo para seguir adiante na vida profissional.

Se vai para um clube suíço da segunda divisão, como aventa o Globo Esporte, acredito que ele vá ascender no futebol europeu, e o Coritiba provavelmente vai receber alguma comissão como clube formador.

Se o Rafael Silva ficasse, ganhasse oportunidades e crescesse normalmente dentro do clube, ele seria logo um jogador do nível do Rafinha. Aliás, com características semelhantes. Um atacante rápido, bom driblador, muito efetivo, capaz de marcar gols ocasionalmente, mas principalmente uma ótima opção para jogar pelos lados do campo e servir os companheiros, além de azucrinar as defesas adversárias.

Para mim, é motivo de muita tristeza.

A seguir, os jogos em que o garoto atuou e foi motivo de comentário neste blog:

O primeiro jogo em que Rafael Silva entrou como profissional foi no 2×1 contra o Rio Branco, pela 7ª rodada do Paranaense 2012.

Comentário da atuação do garoto aqui no blog:

Jonas também saiu no segundo tempo, e Gil foi para a lateral, com a entrada de Rafael Silva no meio campo.  Na prática, a troca de um volante por um meia, que deu bom resultado. O piá, que já mostrou ótimo futebol na Copa São Paulo, estreou em jogo pelo profissional e não decepcionou. Fez mais do que praticamente todos do time tinham feito o jogo inteiro, partindo sempre em direção ao gol e realizando jogadas de perigo. Em uma delas, partiu para dentro da área e bateu cruzado, mas o goleiro desviou e a bola rebateu na trave.

No seu terceiro jogo como profissional, aqui no blog eu já cantava o garoto como o principal jovem talento que o Coritiba tinha. Pode parecer exagero os comentários que fiz à época, mas ele realmente arrebentou no 4×1 contra o Paysandu, pelas oitavas de final da Copa do Brasil 2012.

Esse garoto aí está em seu primeiro ano como profissional, ainda não jogou uma partida inteira e entrou só duas ou três vezes em campo. Entretanto já pode ser considerado o melhor jogador que o Coritiba tem em seu elenco. Rafael Silva pegou duas vezes na bola, nas duas foi muito efetivo e rápido em direção ao gol – e só podia ser parado com pênalti. Na primeira vez, anotado pelo árbitro, cobrado por Roberto e defendido pelo goleiro do Paysandu após catimba que lhe valeu cartão amarelo. Na segunda vez, a da foto acima, o goleiro tomou novamente o cartão, dessa vez tendo que ir para o chuveiro. Resultou no 4º gol do Coritiba apó cobrança do veterano Tcheco.

E o melhor de tudo: Rafael Silva é um craque de alta estirpe, e o Coritiba não precisa dele no momento. Quero dizer: há tempo para ele amadurecer, sem que se exija que salve o time em momentos difíceis. O negócio é esse mesmo – ele continuar entrando no segundo tempo, aprontando pra cima das defesas. Marcando um golzinho aqui, outro ali. 2012 Ainda não é o ano para ele entrar como titular. Ele tem tempo para isso, e o Coritiba não precisa apressar as coisas. Afinal, o neymar alvi-verde acabou de completar 20 anos de idade.

Outro jogo em que Rafael Silva foi bem, foi o primeiro em que ele começou jogando, na última rodada do primeiro turno do Paranaense 2012. Neste jogo ele fez o primeiro gol alvi-verde.

Foi 3×1 contra o Roma, e o post neste blog está aqui.

O mais triste é que quando Marcelo Oliveira era o técnico, Rafael Silva veio ganhando boas oportunidades de jogar. Já com a chegada de Marquinhos Santos, justamente o treinador que conhecia a base Coxa melhor do que ninguém, nossa principal revelação da base perdeu o espaço que vinha ganhando, a ponto de ser despedido de forma trágica.

Começo a dar razão ao que li no blog Prata da Casa, dedicado a acompanhar a trajetória de garotos da base nos profissionais dos clubes que os revelam:

Com ambição nacional, Coritiba limita “cota da base” a treinador

A médio prazo, esta política está muito errada, pois com o tamanho e as receitas que têm, o Coritiba não pode ser dar ao luxo de não ser perfeito no aproveitamento dos bons talentos de sua base.

As chances do Coritiba no Brasileirão 2012

Em 2011 a torcida Coxa acompanhou o início do Brasileirão cheia de esperança. Para alguém que, como eu, era muito pequeno para acompanhar o grande time da década de 1970, o time de 2011 era o melhor já visto ao vivo.

O time terminou o ano com um mísero 8º lugar, apesar de ter sido o melhor mandante da temporada e do campeonato. Também foi decepcionante perder a final da Copa do Brasil depois de ter sido o melhor time do torneio.

Em 2012 o Coritiba começou em ritmo mais lento. Apesar de ter sido tri-campeão, o desempenho no estadual foi abaixo do de 2011 – nem seria possível ser diferente: a campanha de 2011 foi mágica e irrepetível. 20 vitórias e 2 empates em 22 jogos!

Muitos analistas acreditam que o time perdeu qualidade em relação ao ano passado, com a saída de Jeci, Leandro Donizeti, Leo Gago, Davi, Marcos Aurélio, Bill e Leonardo.

Eu considero que os jogadores que saíram eram justamente aqueles com os quais não pudemos contar nas horas mais agudas. Seja por contusões e longos afastamentos, seja por apatias inexplicáveis em momentos cruciais do campeonato. Exceção para Leandro Donizeti, cuja negociação atendeu aos interesses pessoais e financeiros do jogador, num momento chave do final de sua carreira. Ninguém poderá dizer que ele não deu o máximo de si todo o tempo.

Mesmo perdendo tantos jogadores titulares, os reforços vieram, e o time de 2012 não é nada inferior ao do ano passado. Pelo contrário. O time é mais tinhoso, e tem mais possibilidades de trocar jogadores – o que é essencial numa temporada tão longa. O time ainda está passando por experiências, e vai ganhar consistência num futuro próximo. Ao contrário de 2011, quando atingiu o auge muito cedo.

Fazendo uma análise mais particular e detalhada por setores:

Marcelo Oliveira segue sendo um dos grandes nomes do futebol brasileiro atual. Escala, treina e motiva muito bem o time. Substitui bem quase sempre. Ainda precisa perder o medo que o faz armar o time tão acuado em decisões ou em jogos difíceis fora de casa. Mas é visível que aprendeu muito com as experiências de 2011, e está mais maduro no comando do Coritiba.

Embaixo da trave o Coritiba tem uma situação mediana. Tanto Vanderlei quanto Edson Bastos alternam grandes defesas com falhas graves. Não dá mais tempo de fazer isso para 2012, mas seria o caso de começar a pensar em ter um novo goleiro.

A zaga é talvez a melhor do Brasil: Emerson é seguramente o melhor zagueiro do país, e tem várias possibilidades de companheiros para jogar ao seu lado em alto nível – DemersonCleitonPereira e Lucas Claro seriam todos titulares em qualquer zaga brasileira.

Lateral direita: o clube está bem servido com Jonas e Jackson. O problema é que ambos estão contundidos (Jackson rompeu os ligamentos, o que significa meses inativo). Ayrton pode ser um bom nome, mas seu primeiro jogo no time foi assustado. Gil resolve o problema, tendo feito a pré-temporada na posição.

Lateral esquerda: é o único setor que não pode ficar como está, e precisa de uma contratação urgente. Lucas Mendes é forte na marcação, mas alterna bons momentos com fases piores. Apoia pouco. Eltinho é sempre muito bom na subida ao ataque, mas causa um buraco terrível no setor de defesa. Só pode jogar contra adversários que não apresentem ameaça.

Volantes: um craque e titular absoluto, quando não estiver contundido como agora – Wiliam. Mais um monte de jogadores medianos que não são gênios mas também não comprometem: Junior Urso, Gil e Djair são titulares consolidados e entrosados. França, Sérgio Manoel  e o prata da casa Artur jogaram pouco, mas demonstraram manter o mesmo nível. Ou seja, o Coritiba tem farto material para uma barreira à frente da zaga, com muita qualidade na contenção e no desarme, mas com dificuldades no passe, armação e saída de bola. A aposentadoria de Tcheco, que não disputará o Brasileirão, será muito sentida.

Meias: apesar de não ser possível comparar com a plêiade de craques que jogam no Santos, Fluminense, São Paulo e Internacional, não é exagero dizer que o Coritiba tem um meio de campo ofensivo entre os melhores do país. Rafinha deve voltar a ser um dos grandes craques do campeonato. Everton Ribeiro e Lincoln seriam titulares em quase qualquer time.  Renan Oliveira é boa opção. Tiago Primão grande promessa.

Atacantes: o Coritiba tem condições de manter uma linha de frente rápida e com ótimo toque de bola, mantendo um ataque tão efetivo quanto o de 2011 ou até mais. Nenhum dos jogadores hoje ativos é um grande craque na posição, mas todos tem condições de fazerem bom papel sempre que precisarem jogar. No momento, a posição titular parece estar segura para Roberto e Everton Costa. Anderson Aquino anda em má fase mas sabe jogar futebol. Caio Vinícius é boa opção, especialmente quando se precisa de um atacante mais à frente, mas que não deixe de ser muito rápido. Marcel parece que foi descartado muito cedo – é peça fundamental quando se precisa do tradicional homem de área, e ainda deve ser muito útil ao time. Rafael Silva é a grande promessa. Ainda é cedo para lhe dar responsabilidade como titular, mas de vez em quando pode entrar no segundo tempo e desequilibrar jogos decisivos. Geraldo, apesar de irregular, tem grandes momentos, e quando se recuperar de contusão volta a ser opção. Daqui a alguns meses, Keirrison começa a voltar a ter condições de jogo – terá o desafio de voltar a ser um grande craque no time que o projetou, mas tem uma difícil missão na disputa de vaga no time.

Resumindo:

O Coritiba tem o que precisa para fazer uma grande temporada – praticamente dois times titulares, condição necessária para enfrentar uma temporada tão longa. O time tem entrosamento, um grande técnico, uma defesa segura, um meio de campo criativo, rápido e de toque de bola.

O principal desafio? Jogar decentemente como visitante, que no Couto o time já se garante faz um tempinho.

Se jogar tudo o que sabe, o Coritiba vai brigar pela Copa do Brasil, tem chances de título na sulamericana e briga para ficar entre os quatro no Brasileirão. Tem tudo para ser uma temporada melhor que a de 2011.

Toledo 0x2 Coritiba: 1ª rodada do Campeonato Paranaense 2012

Rafinha comemora o primeiro gol do Coritiba em 2012 (foto no sítio oficial do clube)

O Coritiba começou 2012 da melhor maneira possível: vencendo fora de casa, confirmando a continuação da seqüência de vitórias iniciada na 6ª rodada do Paranaense 2011. Ou seja, foram 17 vitórias seguidas no estadual do ano passado – uma série que continua 2012 adentro. O Coritiba também está sem perder no estadual desde a 9ª rodada do campeonato de 2010, quando perdeu para o Paraná Clube por 1×0 no Couto Pereira, em 21 de fevereiro.

Sintomático que o primeiro gol Coxa no ano tenha sido marcado pelo maior jogador com a camisa alvi-verde em 2011.

O outro gol do jogo foi marcado por Emerson, outro grande fera da última temporada, e único jogador do Coritiba a ser convocado para a Seleção Brasileira em anos recentes.

Veja aqui a ficha técnica da partida.

Aqui a crônica do jogo no jornal Gazeta do Povo.

Aqui o comentário de Leonardo Mendes Júnior.

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