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A despedida de Alex no Couto Pereira

Capa do jornal Gazeta do Povo no dia após o jogo de despedida

Capa do jornal Gazeta do Povo no dia após o jogo de despedida

De agora em diante, falar em História do Coritiba vai ficar impossível sem falar em Alex. Que deixou os gramados no último domingo, dia 7 de dezembro de 2014, saindo do futebol profissional direto para a categoria do mito improvável, da lenda, das histórias fabulosas.

Eu sou novo demais para falar em maiores jogadores da História do Coritiba, minha memória pessoal remonta aos tempos das caretas de Lela e das defesas incríveis de Rafael. Lembro de ter visto o goleiro Jairo, outro na categoria das lendas vivas. E tenho lembrança etérea de Dirceu Krüger, embora acho que não de vê-lo jogando. Mesmo assim, não tenho medo de afirmar categoricamente que Alex é o maior jogador que foi formado no Coritiba em todos os tempos.

Eu sei, é temerário fazer comparações. Jogava-se futebol muito diferente em outros tempos, o Coritiba teve suas glórias e seus heróis. Mas percebam que eu não estou afirmando que Alex tenha sido o maior jogador da História do Coritiba. Acho que não foi, e ele mesmo ressalta isso sempre em suas entrevistas. Ele jogou 2 anos no Coritiba entre 1995 e 1997, e depois jogou mais 2 anos em 2013 e 2014. Nesses quatro anos atuando no clube – seus primeiros e seus últimos como profissional, conquistou um único título: o Campeonato Paranaense de 2013, o primeiro tetracampeonato do clube desde o lendário time que conquistou 8 dos 10 títulos da década de 1970 (incluindo o hexacampeonato 1971-76).

É que os times nos quais Alex jogou com a camisa alvi-verde não mereceram destaque na História do Clube pelo que fizeram. Este lugar está reservado para times como os da década de 1970, o de 1980 (que foi semifinalista do Campeonato Brasileiro sendo derrotado pelo Flamengo de Zico e tendo até hoje a maior média de público em campeonatos nacionais em seu estádio), o de 1985 (campeão brasileiro), o de 1989, o de 2003, o de 2008 (que teve Keirrison como artilheiro do Brasileirão), o de 2011 (recordista de vitórias consecutivas e vice-campeão da Copa do Brasil).

Não é disso que estou falando. Estou afirmando que Alex é o maior jogador que o Coritiba já formou, o maior craque Coxa. Porque quando brilhou pelo Palmeiras, pelo Cruzeiro, ou pelo Fenerbaçhe, ele nunca deixou de ser Coxa. Quis voltar para terminar a carreira no clube pelo qual veio ao mundo do futebol, e do qual continua torcedor agora que não joga mais como profissional.

Isso ficou evidente no jogo de despedida de Alex, quando 31 mil torcedores (praticamente sem torcida visitante) fizeram um raro momento de magia na história recente do clube, e atestaram que estávamos diante de um gigante, que deixa o futebol muito menor com sua saída.

Muito ainda terá que ser escrito para tratar do que Alex representa para o futebol e para o Coritiba. Talvez um pouco disso seja feito ainda neste blog. Este post é só uma tentativa de captar o momento que marcou o fim mítico da última passagem do grande craque pelos gramados do Couto Pereira.

Que foi um marco para o futebol o adeus a Alex, não preciso ser eu a dizer. Está no sítio da FIFA, com uma galeria de fotos e uma notícia, que inclusive ficou na capa do portal. A importância de Alex para o futebol brasileiro (que talvez viva seu pior momento em toda a história) também não sou eu que digo. É, por exemplo, o Juca Kfouri, que inclusive lamenta a ausência brutal no craque nas várias seleções nas quais ele podia ter feito a diferença. Destacando as palavras do maior jornalista do nosso futebol, ao comentar sua não convocação para a última Copa:

Mesmo porque a seleção não precisou de alguém que sumisse com a bola durante uns 10 minutos depois do segundo gol alemão…

A importância de Alex vai além do próprio futebol, e alcança a cultura brasileira, quando um craque como Fagner grava junto com Zeca Baleiro uma homenagem tão bonita como essa (que o Sportv misturou com imagens de grandes jogadas do craque, num programa que foi ao ar com reportagens após o jogo):

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Sobre a importância histórica e a magia de Alex para o torcedor Coxa, quem escreve melhor é o Rodrigo Salvador:

Alex, o Aroldo Fedato do século 21

Pra resumir, é isso: Alex formou-se no Coritiba, saiu do clube para jogar em outros grandes clubes do Brasil, foi ídolo pelos 8 anos que jogou na Turquia, foi injustiçado nas convocações da Seleção, e voltou para o clube que o formou para terminar a carreira. Não como uma pálida sombra do craque que foi em seus melhores tempos. Ainda jogando em alto nível, a ponto de ter sido o melhor jogador atuando no país nas duas temporadas (2013 e 2014).

Que ele tenha escolhido o Coritiba mesmo o clube estando numa situação péssima, e sem a menor chance de títulos. Que ele tenha ficado no clube mesmo que por meses o salário não fosse pago. Que ele desse o melhor mesmo quando os corneteiros que vão ao Couto Pereira colocassem em dúvida sua honra. Que ele continuasse jogando seu melhor futebol mesmo quando o presidente do clube dava entrevista chamando seus jogadores de “vagabundos”. Tudo isso são marcas do caráter desse homem, da grandeza que o fez maior entre os grandes jogadores brasileiros da última década.

Por fim, um pouco das impressões da grande festa que foi o jogo contra o Bahia pela última rodada do Brasileirão 2014. Antes que eu escreva qualquer coisa preciso dizer que o Rodrigo Salvador também já fez O Texto sobre este jogo:

Não aprendi a dizer adeus

Sobrou pouco para eu comentar.

A história do jogo começou muito antes. Quando Alex deixou claro e avisado que 2014 era sua última temporada. Que jogaria até o final e se aposentaria. Que o jogo final seria mágico ficou determinado pelos deuses do futebol no dia em que o Coritiba ganhou do Palmeiras e garantiu uma tranquilidade que não teve nenhum momento do ano: de ficar fora da zona de rebaixamento. Ficou ainda mais sedimentado no dia em que o Coritiba ganhou do Atlético em Minas, e deu de presente para a nação Coxa um jogo de despedida do craque sem o fantasma do rebaixamento.

Aí foi começar a preparação para o grande dia. O clube fez campanha convocando os torcedores. E eu que não tinha ido nenhuma vez ao Couto em 2014 já comecei a me coçar. Peguei minha carteirinha de Sócio Torcedor, e descobri que o futebolcard.com não é de nada. Tive que ir para a fila da bilheteria, que abria só na sexta às 10:00 horas da manhã. Fui logo depois do almoço, e esquina da Mauá com a Amâncio Moro já estava em agito:

Fila na bilheteria do Couto Pereira desde sexta

Fila na bilheteria do Couto Pereira desde sexta

No dia do jogo cheguei bem antes, com medo de não achar lugar. E descobri que já estava chegando tarde, praticamente não tinha lugar na arquibancada. Peguei um cantinho com visão privilegiada da bandeira de escanteio. Eu não sabia, mas a torcida já estava esperando antes do ônibus chegar com os jogadores. A Mauá estava assim:

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Este aí foi um vídeo feito por um torcedor. A seguir as fotos que fiz da torcida:

Festa da torcida: arquibancada e setor Pró-Tork

Festa da torcida: arquibancada e setor Pró-Tork

Festa da torcida: setor Pró-Tork e cadeiras Mauá

Festa da torcida: setor Pró-Tork e cadeiras Mauá

Festa da torcida: bandeirão na arquibancada

Festa da torcida: bandeirão na arquibancada

Festa da torcida: as crianças saúdam o craque

Festa da torcida: as crianças saúdam o craque

Começou o jogo, e o Bahia precisava ganhar (além de torcer contra Palmeiras e Vitória) para ficar na série A em 2015. E o time da boa terra aproveitou as mancadas da defesa do Coritiba. Wiliam Barbio jogou como quis, nas costas da defesa. Puxou contra-ataques em velocidade e capitaneou as duas jogadas que resultaram em 2×0 para o Bahia logo no início do jogo.

Já o Coritiba jogava bola, mas não conseguia chegar ao gol. A gente ali esperando Alex fazer os últimos milagres, como muitos que a gente viu, principalmente em 2013. Mas era só a despedida, não era mais dia de grandes feitos do camisa 10. Ele jogou com a classe conhecida, deu passes magistrais, mas gol mesmo não saiu de seus pés.

Era dia dele receber os presentes – da torcida e dos colegas. Além da festa toda, os jogadores todos vieram com o nome Alex na camisa, além de uma frase de agradecimento ao craque. E foram realmente os colegas que fizeram o grande jogo, dando o presente merecido ao craque.

Ainda no primeiro tempo, um cruzamento da direita e o gol de cabeça de Zé Love. Que pouco fez durante o ano, mas se tornou um jogador muito melhor sob o comando de Marquinhos, e merecia fazer este gol pelo tanto que buscou. Em muitas vezes ele foi o símbolo de um Coritiba que jogava bom futebol, mas não colocava a bola nas redes. Ter feito o primeiro gol era um presente dos deuses.

Depois, já no segundo tempo, foi a vez de Dudu, um dos poucos piás da base que se firmou no profissional. Coroou o que foi uma temporada impecável, consolidando-se como jogador para seguir no time principal. Quem sabe, inspirado no convívio com Alex, não se torna mais um grande jogador com essa camisa?

Aos 40 minutos, parada no jogo para a saída de Alex pela última vez. Entra Keirrison.

E ele, o K9, o maior jogador formado na base Coxa desde Alex, tentando ainda voltar a ser o atacante titular e artilheiro, fez o gol mágico da virada, o presente para o craque do dia. Não podia terminar de outra forma a festa do Coritiba, a festa da torcida, a festa de Alex.

Para fechar, assistam a ótima reportagem da RPC, com imagens do jogo:

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Pereira, o xerifão da zaga Coxa (2008-2013)

Pereira do Coritiba

Quando foi chamado para vir jogar no Coritiba, Pereira tinha acabado de passar o ano como zagueiro titular no time do Grêmio que foi vice-campeão brasileiro de 2008, com a defesa menos vazada da competição. A notícia da chegada do xerifão, então com 29 anos, foi feita na Gazeta do Povo de 27/12/2008 (link para a notícia). Pereira chegava num momento muito difícil do Coritiba, pois o clube tinha passado recentemente por 2 anos na segundona (2006 e 2007), vivia severas dificuldades financeiras e, apesar de ter tido uma ótima temporada em 2008, terminava o ano sem conseguir um bom treinador e com sérios problemas para renovar contratos de 18 jogadores que tiveram seus vínculos encerrados – vários deles titulares. Ninguém sabia disso ainda, mas o ano do centenário seria trágico, com rebaixamento e tudo. Cenário tenebroso, mas em meio às dificuldades é que se formam os grandes heróis.

Mesmo vindo de uma boa posição num dos melhores times de 2008, Pereira não assumiu naturalmente a posição de titular em 2009. O primeiro jogo do Paranaense foi um 0x0 com o Iraty em 25/01/2009. Naquele jogo, a zaga titular do Coritiba entrou com Cleiton (recém trazido do Toledo) e Felipe. A matéria da Gazeta sobre o jogo está aqui, e a galeria de fotos no sítio do Coritiba está aqui.

Isso porque o zagueirão se machucou logo no início dos treinamentos, e sua estréia só aconteceu pela 6ª rodada do estadual, em 15/02/2009, contra o Rio Branco. Neste jogo, o Coritiba voltou a marcar gols no Couto Pereira pela primeira vez desde novembro do ano anterior (veja matéria sobre o jejum na Gazeta do dia). Segundo a crônica do jornal, Pereira estreou bem, e teve participação no primeiro gol, quando o zagueiro que o marcava desviou para dentro a bola em uma cobrança de falta do meia Renatinho. O outro gol do Coxa foi do zagueiro Cleiton.

Pereira em seu primeiro jogo pelo Coritiba (foto do sítio oficial)

Pereira em seu primeiro jogo pelo Coritiba (foto do sítio oficial)

Este campeonato estadual seria o único dos 5 que o zagueirão disputaria pelo Coritiba sem ser campeão. E começou sendo decisivo no primeiro gol do clube em seu estádio na temporada, talvez prenunciando a sina de zagueiro artilheiro. Até deixar o clube neste início de julho de de 2013, Pereira iria marcar 23 gols com a camisa do Coritiba, atingindo a marca inconteste de zagueiro com mais gols anotados pelo Coritiba. Esta posição de “zagueiro artilheiro” vem sendo revezada entre Pereira e Emerson nos anos recentes, e é provável que seu melhor companheiro de zaga ainda o supere na marca, pois está apenas 2 gols atrás. Entretanto, ao sair do Coritiba, Pereira leva esta marca: é o zagueiro que fez mais gols pelo alvi verde.

Pode-se dizer que a política do Coritiba ao dispensar jogadores é necessária para manter as finanças em dia: não há como sustentar salário de tantos jogadores, e por causa disso o clube já dispensou um de seus maiores talentos da base, sem nenhuma despedida, como já anotado aqui no blog. Um jogador como Pereira mereceria placa no estádio, festa de despedida, livro em homenagem e qualquer outra coisa que se pudesse imaginar. Entretanto, a diretoria se limitou a dois textos no sítio oficial, que esse blog vem reforçar em respeito à história deste nosso craque.

Zagueiro artilheiro deixa nome na história

O texto acima foi publicado em 27 de junho no sítio oficial do Coritiba, e traz algumas fotos e a lembrança de todos os gols marcados por Pereira com a camisa do clube.

Com trajetória vitoriosa, Pereira se despede do Coxa

Outro texto publicado no mesmo dia, com algumas lembranças do período do zagueirão no clube, a informação sobre uma pequena homenagem do clube (uma camisa do Coritiba com o nome “Capitão Pereira” e o nº 23, total de gols marcados pelo jogador) e um vídeo em que o jogador faz uma despedida.

Analisando um pouco melhor os 23 gols do grande zagueiro:

3 gols no Brasileirão 2009

2 gols no Paranaense 2010

1 gol pela Copa do Brasil 2010

1 gol em amistoso contra o Vasco (durante a parada para a Copa do Mundo)

4 gols pela Série B 2010

4 gols pelo Paranaense 2011

1 gol pelo Brasileirão 2011 (na décima rodada, 2º gol do 3×1 sobre o Fluminense  – ficha do jogo, com vídeo, aqui na futpedia)

1 gol pelo Paranaense 2012 (o primeiro gol do 2×1 sobre o Corinthians Paranaense pela 2ª rodada do 2º turno – tem crônica deste jogo aqui no blog)

4 gols pelo Brasileirão 2012

2 gols pelo Paranaense 2013

Além dessa marca como goleador, Pereira participou de algumas façanhas épicas e marcas históricas pelo Coritiba.

* Foi um dos únicos jogadores que participou de todas as conquistas que perfizeram o tetracampeonato estadual 2010-2013. Veja o vídeo promocional feito pelo clube:

* Participou da histórica campanha de 24 vitórias consecutivas entre 3 de fevereiro e 5 de maio de 2011. Veja o histórico da campanha neste link.

* Participou da grande campanha no Brasileirão 2011, quando o Coritiba foi o melhor mandante da temporada, com 75% de aproveitamento, 40 gols marcados e 27 de saldo (veja a tabela)

* Participou dos dois vice campeonatos da Copa do Brasil em 2011 e 2012

Além disso, nas campanhas mencionadas, Pereira foi peça chave para que o Coritiba tivesse poucas derrotas e sofresse poucos gols.

Campeonato Paranaense 2010: 1 derrota e 14 gols sofridos em 20 jogos

Campeonato Paranaense 2011: invicto e 17 gols sofridos em 22 jogos

Campeonato Paranaense 2012: 1 derrota e 21 gols sofridos em 24 jogos

Campeonato Paranaense 2013: 2 derrotas e 20 gols sofridos em 24 jogos

Campeonato Brasileiro 2011: apenas 2 derrotas como mandante, e 13 gols sofridos em 19 jogos

Copa do Brasil 2011: 2 derrotas e 7 gols sofridos em 12 jogos

Copa do Brasil 2012: 3 derrotas e 7 gols sofridos em 12 jogos

Pouquíssimos jogadores podem se dar ao luxo de ostentar tantas marcas importantes em suas passagens pelo glorioso, e a próxima vez que alguém quiser escrever um livro como esse, vai precisar dedicar um capítulo ao Pereira.

Ele acabou de ir embora, mas já deixa muita saudade no Coritiba. Todos os depoimentos que vi sobre nosso craque dão conta de que ele foi um grande líder nos vestiários, um ótimo profissional, e um grande colega e amigo dos que trabalharam com ele. Seu nome ficou para sempre marcado no Coritiba.

 

Rafael Silva, uma das principais promessas da base, deixa o Coritiba

Notícia no jornal Metro

Notícia no jornal Metro

Deu no jornal Metro de hoje, página 17.

Este blog lamenta muito essa informação, e também a falta de notícias no sítio do Coritiba e nos blogs que cobrem o verdão. Eu vi a notícia no Metro, e saíram apenas comentários bem sucintos no Coxanautas (aqui e aqui) e no Globo Esporte.

Eu vi o Rafael jogando algumas vezes, em todas achei ele muito bom. Sempre efetivo, partindo para cima dos adversários, mostrando boa velocidade, bom drible e bom passe. Junto com Tiago Primão, Zé Rafael e outros grandes jogadores que vem sendo formados na base nos últimos tempos, Rafael Silva teria um grande futuro no Coritiba.

Na minha opinião, tem muito mais qualidade para jogar do que Arthur, Julio Cesar, Anderson Aquino ou Geraldo.

Perder um jogador deste nível é um erro crasso, e o Coritiba vem cometendo vários assim. A gente sempre desconfia de qual a motivação da diretoria em contratar jogadores de outros clubes, a maioria sem grandes qualidades, e desperdiçar os maiores talentos formados na base.

E o pior é que ele sai assim, liberado de contrato. Ainda se você vendido num grande negócio dava para entender.

De qualquer forma, como dizem as notícias que eu linkei aí em cima, se o Coritiba não pretende escalar o jogador nunca, como vem fazendo, melhor mesmo liberá-lo para seguir adiante na vida profissional.

Se vai para um clube suíço da segunda divisão, como aventa o Globo Esporte, acredito que ele vá ascender no futebol europeu, e o Coritiba provavelmente vai receber alguma comissão como clube formador.

Se o Rafael Silva ficasse, ganhasse oportunidades e crescesse normalmente dentro do clube, ele seria logo um jogador do nível do Rafinha. Aliás, com características semelhantes. Um atacante rápido, bom driblador, muito efetivo, capaz de marcar gols ocasionalmente, mas principalmente uma ótima opção para jogar pelos lados do campo e servir os companheiros, além de azucrinar as defesas adversárias.

Para mim, é motivo de muita tristeza.

A seguir, os jogos em que o garoto atuou e foi motivo de comentário neste blog:

O primeiro jogo em que Rafael Silva entrou como profissional foi no 2×1 contra o Rio Branco, pela 7ª rodada do Paranaense 2012.

Comentário da atuação do garoto aqui no blog:

Jonas também saiu no segundo tempo, e Gil foi para a lateral, com a entrada de Rafael Silva no meio campo.  Na prática, a troca de um volante por um meia, que deu bom resultado. O piá, que já mostrou ótimo futebol na Copa São Paulo, estreou em jogo pelo profissional e não decepcionou. Fez mais do que praticamente todos do time tinham feito o jogo inteiro, partindo sempre em direção ao gol e realizando jogadas de perigo. Em uma delas, partiu para dentro da área e bateu cruzado, mas o goleiro desviou e a bola rebateu na trave.

No seu terceiro jogo como profissional, aqui no blog eu já cantava o garoto como o principal jovem talento que o Coritiba tinha. Pode parecer exagero os comentários que fiz à época, mas ele realmente arrebentou no 4×1 contra o Paysandu, pelas oitavas de final da Copa do Brasil 2012.

Esse garoto aí está em seu primeiro ano como profissional, ainda não jogou uma partida inteira e entrou só duas ou três vezes em campo. Entretanto já pode ser considerado o melhor jogador que o Coritiba tem em seu elenco. Rafael Silva pegou duas vezes na bola, nas duas foi muito efetivo e rápido em direção ao gol – e só podia ser parado com pênalti. Na primeira vez, anotado pelo árbitro, cobrado por Roberto e defendido pelo goleiro do Paysandu após catimba que lhe valeu cartão amarelo. Na segunda vez, a da foto acima, o goleiro tomou novamente o cartão, dessa vez tendo que ir para o chuveiro. Resultou no 4º gol do Coritiba apó cobrança do veterano Tcheco.

E o melhor de tudo: Rafael Silva é um craque de alta estirpe, e o Coritiba não precisa dele no momento. Quero dizer: há tempo para ele amadurecer, sem que se exija que salve o time em momentos difíceis. O negócio é esse mesmo – ele continuar entrando no segundo tempo, aprontando pra cima das defesas. Marcando um golzinho aqui, outro ali. 2012 Ainda não é o ano para ele entrar como titular. Ele tem tempo para isso, e o Coritiba não precisa apressar as coisas. Afinal, o neymar alvi-verde acabou de completar 20 anos de idade.

Outro jogo em que Rafael Silva foi bem, foi o primeiro em que ele começou jogando, na última rodada do primeiro turno do Paranaense 2012. Neste jogo ele fez o primeiro gol alvi-verde.

Foi 3×1 contra o Roma, e o post neste blog está aqui.

O mais triste é que quando Marcelo Oliveira era o técnico, Rafael Silva veio ganhando boas oportunidades de jogar. Já com a chegada de Marquinhos Santos, justamente o treinador que conhecia a base Coxa melhor do que ninguém, nossa principal revelação da base perdeu o espaço que vinha ganhando, a ponto de ser despedido de forma trágica.

Começo a dar razão ao que li no blog Prata da Casa, dedicado a acompanhar a trajetória de garotos da base nos profissionais dos clubes que os revelam:

Com ambição nacional, Coritiba limita “cota da base” a treinador

A médio prazo, esta política está muito errada, pois com o tamanho e as receitas que têm, o Coritiba não pode ser dar ao luxo de não ser perfeito no aproveitamento dos bons talentos de sua base.

Os craques do Coritiba em 2011: (3) Leandro Donizeti

Leandro Dozineti conduz a bola, soberano, na vitória contra o líder Corinthians (foto do sítio do Coritiba)

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Ele foi um jogador importantíssimo no elenco do Coritiba por vários anos seguidos. Depois da saída de Rodrigo Mancha, em 2009, Donizeti assumiu a posição de xerifão do meio-campo. O homem responsável por fazer a proteção à frente da zaga, dar o primeiro combate, fazer o desarme ou a contenção de quem começa a jogada pelo outro time.

Tudo isso Donizeti sempre fez com maestria, e de maneira incansável. Se fosse possível medir a quilometragem percorrida por cada jogador, Donizeti seria disparado o mais rodado do Coritiba.

Ele não jogou mal em praticamente nenhum jogo, sempre teve muita disposição física e aplicação tática. Além da força de marcação, tinha qualidade com a bola no pé, bom passe e, principalmente, uma postura de liderança no elenco.

Esteve fora em alguns momentos, por contusão. Mas sempre voltava em forma, e nunca fez menos que o seu melhor.

Dos jogadores que saíram do Coritiba é, no meu entender, o que faz mais falta no elenco em 2012.

Me parece que ele foi o único jogador de 2011 do qual a diretoria abriu mão mesmo sem nenhuma restrição passível de ser feita ao seu futebol. O fato é que, pela idade, a transferência para o Atlético MG seria provavelmente a última oportunidade para uma negociação financeiramente interessante para o jogador.

Donizeti cumpriu sua missão no Coritiba.

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Veja a série completa:

Os craques do Coritiba em 2011: (1) Rafinha

Os craques do Coritiba em 2011: (2) Emerson

Os craques do Coritiba em 2011: (3) Leandro Donizeti

Os craques do Coritiba em 2011: (2) Emerson

Emerson em jogo contra o Corinthians pelo Brasileirão 2011 (foto do sítio do Coritiba)

Esta bela foto de Emerson, ostentando a braçadeira de capitão na vitória sobre o que seria o campeão do ano, mostra bem o que foi o craque da defesa Coxa.

Em toda a temporada, Emerson foi sinônimo de segurança na defesa. Fosse quem fosse o companheiro – a defesa esteve sempre segura com ele. Um líder nato, alguém que sempre orienta o posicionamento dos colegas, e cobra empenho. Leal, recebeu poucos cartões. Além da enorme capacidade defensiva, sua boa impulsão, cabeceio forte e preciso, além do posicionamento certeiro, fizeram de Emerson uma arma sempre perigosa no ataque, especialmente em escanteios ou cobranças de falta.

Por essas e outras, foi o único jogador do clube convocado para a Seleção Brasileira na temporada.

Que Emerson é indispensável no time, pudemos comprovar no jogo pelo Campeonato Paranaense, quando ele fez muita falta no fraco desempenho do Coritiba contra o Rio Branco.

Veja a seguir todos os gols do zagueirão pelo Coritiba no Brasileirão 2011.

Coritiba 3×0 Figueirense, 7 de julho, pela 8ª rodada. Em cobrança de falta de Eltinho, Emerson subiu no meio da zaga e cabeceou no ângulo, com força. A bola indefensável abriu caminho para a vitória do Coritiba. Veja o vídeo dos melhores lances do jogo.

Coritiba 1×1 Atlético PR, 27 de agosto, pela 19ª rodada. No Atletiba que encerrou o 1º turno, o Coritiba esteve fraco, mas o zagueirão não falhou. Foi ele que abriu o placar, no que terminou sendo o único gol alvi-verde no jogo. Cabeçada forte e certeira, em cobrança de escanteio. Veja o vídeo.

Coritiba 5×0 Botafogo, 11 de setembro, pela 23ª rodada. O vexame do Botafogo começou com um erro imperdoável da defesa: deixar Emerson completamente livre na área em cobrança de escanteio. Veja o gol.

Internacional 1×1 Coritiba, 18 de setembro, 24ª rodada. O Internacional esteve melhor no jogo, mas o Coritiba veio com um bom empate, novamente o zagueirão Emerson desviando cobrança de falta de Marcos Aurélio. Veja o gol.

Os 4 gols são uma boa marca para um zagueiro. Mas sobretudo, a temporada de Emerson com a camisa do Coritiba em 2011 vai ficar na memória por sua personalidade e caráter, um jogador que certamente sintetiza as melhores virtudes de um Coxa!

A série completa:

Os craques do Coritiba em 2011: (1) Rafinha

Os craques do Coritiba em 2011: (2) Emerson

Os craques do Coritiba em 2011: (3) Leandro Donizeti

Os craques do Coritiba em 2011: (1) Rafinha

Rafinha em jogo contra o Ypiranga RS, pela segunda rodada do Copa do Brasil (foto do sítio do Coritiba)

Jogando normalmente com a número 7, Rafinha foi sem dúvida o melhor jogador do Coritiba na inesquecível temporada 2011. E certamente um dos melhores jogadores do Brasil na temporada, fato pouco reconhecido pelos comentaristas esportivos em geral (exceto nos comentários dos jogos do Coritiba no PFC, quando Rafinha era sempre apontado justamente como grande craque).

Rafinha jogou como meia atacante, e era o homem mais rápido do Coritiba. Sempre causou sérios problemas para as defesas adversárias, pois apresentava ótima movimentação. Jogou vezes pelo lado direito do campo, outras pelo lado esquerdo – quase sempre mudando de lado no decorrer da partida (sob recomendação do treinador), o que confundia a marcação. Nunca hesitou em dar dribles descorcentantes, teve ótimo passe e chutou muitas vezes a gol. Era o melhor cobrador de escanteio, e sempre fez ótimos cruzamentos em jogadas perigosas pela ponta.

Não bastasse tudo isso, Rafinha sempre foi jogador que voltava para marcar. Demonstrou fôlego incansável e aplicação tática durante toda a temporada.

Somando-se ao seu jeito simples de se apresentar, nunca arranjando confusão com os colegas de profissão. Mas, teve como único defeito, o excesso de reclamações perante a arbitragem, o que lhe valeu um número alto de cartões (somando-se à força de sua marcação, às vezes excessiva).

Foi o único jogador capaz de jogar bem todas as vezes que entrou em campo com a camisa verde-e-branca. Essa qualidade, acima de todas as outras, lhe vale o título de melhor jogador da temporada 2011, na avaliação deste blog.

De maneira também significativa, Rafinha recebeu tratamento digno pela diretoria, teve seu contrato com o Clube ampliado e com melhor salário. Foi prioridade máxima na hora das negociações. E confirmou que segue sendo um grande nome para 2012, pois já estreou marcando o primeiro gol do Coritiba no ano, na vitória como visitante sobre o Toledo, pela primeira rodada do estadual.

Veja todos os gols de Rafinha pelo Coritiba no Brasileirão 2011:

Coritiba 3×4 São Paulo, 27 de julho, pela 12ª rodada – Rafinha fez o primeiro gol da tentativa de reação Coxa, quando o time estava perdendo por 4×0. Veja aqui. (O primeiro bom lance do jogo, aliás, foi uma jogada magistral do craque Coxa, que acabou com chute na trave)

Coritiba 3×0 Atlético MG, 14 de agosto, pela 14ª rodada – Rafinha fez o segundo gol, após sofrer pênalti numa de suas jogadas características pela ponta. Veja aqui.

Coritiba 5×0 Botafogo, 11 de setembro, pela 23ª rodada – Rafinha fez o 4º gol desta histórica goleada do Coritiba sobre o Botafogo, no momento em o alvi-negro carioca ainda estava entre os que brigavam pela primeira posição na tabela. O próprio Rafinha começou a jogada, e deu passe perfeito para Marcos Aurélio livre, que devolveu a gentileza para Rafinha marcar. Veja aqui.

Coritiba 3×1 América MG, 30 de outubro, pela 32ª rodada – Rafinha fez o primeiro gol do Coritiba, que tinha saído atrás no marcador. Aqui ele mostrou porque foi o melhor jogador do time na temporada: fez o gol de empate após driblar quase meio time do América. Veja aqui.

Não foram muitos gols – 4 no torneio, mas se fosse possível lembrar todos os dribles, passes, assistências, roubadas de bola, cobranças de falta, cruzamentos, cobranças de escanteio, poderíamos medir a importância deste gigante,  que foi muito significativo também no Campeonato Paranaense e na Copa do Brasil. Mas para estes dois torneios é um pouco mais difícil fazer o levantamento de todos os gols do Rafinha.

Fico devendo essas informações para outra hora aqui no blog…

A série completa:

Os craques do Coritiba em 2011: (1) Rafinha

Os craques do Coritiba em 2011: (2) Emerson

Os craques do Coritiba em 2011: (3) Leandro Donizeti

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