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Coritiba 2×0 São Paulo: semifinal da Copa do Brasil 2012

Emerson fez mais um, e pulverizou o recorde anterior

A foto é de Marcelo Andrade, para a Gazeta do Povo.

O Coritiba foi soberano ontem à noite contra o São Paulo. Não foi um jogo bonito, porque o gramado encharcado por vários dias de chuva contínua não permitiu. Mas foi um jogo taticamente perfeito do Coritiba, e com os dois times apresentando o melhor futebol que a metereologia permitiu.

O Coritiba marcou forte o jogo inteiro, e não cometeu erros. Vandereli foi soberbo e fez ótimas defesas sempre que foi exigido. Aliás, eis o time que entrou em campo: Vanderlei; Ayrton, Pereira, Emerson e Lucas Mendes; Wiliam, Sérgio Manoel, Rafinha e Everton Ribeiro; Roberto e Everton Costa. No segundo tempo entraram Gil no lugar de Roberto, Lincoln no de Everton Ribeiro e Rafael Silva no de Rafinha.

O primeiro gol saiu após cobrança de escanteio em jogada inteligente: sabendo que haveria marcação pesada sobre Emerson na área do São Paulo, o Coritiba armou outra estratégia. Emerson posicionou-se fora da área, e a cobrança de escanteio foi um passe curto para Everton Ribeiro na lateral do campo. Enquanto ele caminhou com a bola em direção à área, Emerson entrou sorrateiramente, aproveitando a confusão gerada na defesa do São Paulo. Mesmo sendo o único de verde-e-branco entre vários tricolores, Emerson subiu livre e cabeceou para o gol, contando com o desvio de Rodolfo em seu favor para abrir o placar.

Até o gol, o Coritiba não tinha conseguido dominar a partida, e o São Paulo controlava a bola perigosamente no ataque.

Depois do gol a história do jogo mudou. O Coritiba passou a jogar mais leve, e a ficar mais com a bola. Mais chances começaram a aparecer.

Já no segundo tempo, Roberto driblou todo mundo pela direita, veio carregando a bola e deu um passe na medida para Everton Ribeiro cabecear e fazer o gol que definiu a partida.

Depois disso, Roberto saiu para dar lugar a Gil. O camisa 11 foi talvez o melhor em campo, driblando a defesa do São Paulo inteira umas duas vezes, e ainda vencendo o gramado pesado, fator contrário à sua velocidade. Mas a sua saída foi estratégica: Gil foi fundamental para segurar a pressão que viria do São Paulo, e fez uma competente marcação individual em Fernandinho, atacante que entrou para tentar virar a sorte do jogo.

Comentários sobre a atuação de cada jogador:

Vanderlei foi uma muralha, e garantiu a segurança na retaguarda. O zero no placar são paulino foi mérito dele, em grande parte. Ao menos três defesas muito difíceis.

Pereira e Emerson formaram uma dupla de zaga soberda. É como diz meu amigo Hugo: com Pereira do lado Emerson joga muito melhor. Fato comprovado no jogo de ontem – Pereira organiza a defesa como ninguém, e nisso certamente é superior a Demerson. A experiência do xerifão foi fundamental.

Lucas Mendes tem o defeito de ser desatento em muitos de seus jogos. Ontem foi perfeito. Em cima dele ninguém tripudiou, e Lucas não teve sossego para fazer nenhuma de suas jogadas brilhantes.

Ayrton foi novamente uma grande peça no ataque, nos cruzamentos, nos chutes a gol, em cobranças de falta e, principalmente, tudo isso sem nunca deixar um buraco atrás. Para mim ele é o maior lateral direito jogando no Brasil atualmente.

Wiliam continua sendo a segurança na frente da zaga, com o estilo de quem sabe o que fazer com a bola no pé. Quando ele joga, tudo funciona bem.

Sérgio Manoel confirmou que é o segundo volante que o Coritiba sonhava em ter. Como Leo Gago foi em 2011, só que mais jovam, com mais fôlego e, principalmente, com interesse total sempre. Foi um gigante, correu o suficiente para ir à China e voltar, driblou, carregou a bola da defesa ao ataque, deu passes, segurou a bola quando precisava.

Everton Ribeiro foi talvez o pior em campo, mas deu o cruzamento para o gol de Emerson e fez o segundo de cabeça. Não precisava mais nada.

Rafinha foi tudo que o gramado permitiu. Sem poder usar sua velocidade, mesmo assim incomodou a defesa adversária. Foi o jogador mais decisivo no primeiro tempo, mas perdeu importância na segunda etapa. Sobretudo, sua volta ao elenco foi importantíssima, num momento fundamental. O melhor jogador alvi-verde de 2011 tem tudo para voltar a ser decisivo este ano.

Roberto compensou todos os jogos recentes em que foi fraco. Jogou muita bola, driblou sempre em direção à área adversária, e fez sozinho toda a jogada do segundo gol. Sem ele em campo a história teria sido outra.

Everton Costa não teve importância decisiva em nenhum lance capital, mas brigou muito, incomodou e defesa e se movimentou bem. Gil fechou a zaga quando entrou, e impediu que o São Paulo crescesse na hora decisiva. Lincoln fez exatamente o que era necessário quando entrou – segurou a bola no campo de ataque, cavou faltas e cadenciou o jogo. Rafael Silva quase não pegou na bola, mas foi o gás novo na frente, para fazer o São Paulo se preocupar um pouco com a retaguarda e não ter tranqüilidade para atacar.

Marcelo Oliveira montou a estratégia perfeita, escalou e substituiu corretamente e “pilhou” o time para manter atenção total. Para garantir a posição de melhor treinador da história do Coritiba só falta o título.

O adversário era superior tecnicamente, mas o Coritiba se mostrou mais time. Uma vitória magna que coloca o Coritiba entre os grandes times brasileiros da atualidade. O Coritiba que chega à final da Copa do Brasil 2012 é mais experiente e mais tinhoso que aquele que perdeu para o Vasco em 2011. Tudo pode acontecer numa final, mas estamos muito mais próximos do título do que jamais estivemos.

Veja o vídeo dos melhores momentos do jogo.

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São Paulo 1×0 Coritiba: semifinal da Copa do Brasil 2012

Lucas chutando para fazer o único gol da partida

A foto é de Sérgio Neves, para o Estadão.

Na última 5ª feira (14 de junho) o Coritiba foi ao Morumbi enfrentar o São Paulo pela semifinal da Copa do Brasil.

É um adversário temível, não há dúvida. Tem em Lucas e em Luis Fabiano dois dos principais jogadores em atividade no Brasil de hoje, o que é sempre preocupante para os adversários.

Sabendo disso, poderíamos dizer que voltar de lá com uma derrota pelo placar mínimo não foi uma tragédia, e sempre é possível reverter no Couto Pereira. O prolema é que, pela maneira como se desenvolveu o jogo, a derrota teve sabor amargo, muito amargo para o Coritiba.

O time entrou em campo com: Vanderlei; Ayrton, Demerson, Emerson e Lucas Mendes; Wiliam, Sérgio Manoel, Gil e Everton Ribeiro; Roberto e Everton Costa. Hoje é o que o time tem de melhor, exceto talvez por Gil, opção para jogar mais seguro na defesa fora de casa – ou seja, Marcelo Oliveira foi com três volantes.

Mas no decorrer do jogo a escalação não se mostrou nada retraída. O Coritiba foi sempre seguro na retaguarda, dominou as ações no meio de campo e chegou várias vezes com perigo ao gol do São Paulo. Isso porque os três volantes que jogaram tem qualidade com a bola no pé, bom passe e boa condução de jogada.

No primeiro tempo o jogo foi mais ou menos equilibrado, com boas chances desperdiçadas de ambos os lados. No segundo tempo, o Coritiba entrou mais sólido que o São Paulo, e tomou o controle do jogo. O negócio ficou ainda mais evidente quando o zagueiro são paulino acertou um chute na orelha de Sérgio Manoel e foi expulso por segundo cartão amarelo (teria de ser expulso mesmo que não tivesse o cartão, pois era o último homem), por volta dos 15 minutos.

Seria o momento de o Coritiba voar na garganta do São Paulo, fazer gols, definir o jogo e até mesmo a classificação – como fez o Palmeiras no Olímpico no dia anterior. Mas não, o Coritiba passou a jogar como se o empate fosse um bom resultado (talvez fosse em um jogo qualquer, mas não nas condições específicas), e ficou tocando de lado no meio de campo. Parecia que era para gastar o tempo, e não para jogar com efetividade.

Mesmo as alterações promovidas por Marcelo Oliveira não resolveram nada: Lincoln, Anderson Aquino e Tcheco entraram nos lugares de Everton Ribeiro, Roberto e Gil. Lincoln não jogou bem, nem Tcheco, o que foi muito estranho porque eles deveriam ser a voz da experiência no time e não foram. Everton Ribeiro não podia ter saído, pois era o melhor jogador de preto (o Coritiba jogou com a terceira camisa). Aderson Aquino faz tempo que não adianta nada.

Pra resumir a coisa, o Coritiba mostrou que não resolveu seu principal problema como equipe: a timidez fora de casa. Pelo domínio que construiu no jogo era para ter voltado com uma vitória. Mas terminou por brilhar e estrela de Lucas, um dos maiores craques brasileiros de hoje. Ele pegou a bola no lado esquerdo do campo, driblou em velocidade toda a defesa do Coritiba, avançando lateralmente. Parecia que era uma jogada tola, que não daria em nada. Então ele chutou para o gol, de fora da área, e a bola entrou. Faltavam 5 minutos para o final do jogo e o placar estava definido. Ficou provada a máxima do “quem não faz toma”, muito válida contra times que têm um Lucas.

Destaques do Coritiba: Ayrton foi o mais efetivo em cobranças de falta e num chute de fora da área que passou raspando. Everton Ribeiro também se comportou como um craque, e carimbou o travessão em uma bola. Vanderlei fez ótimas defesas, e pelo menos uma inacreditável, quando tirou com a pontinha do pé uma bola em que Luis Fabiano entrou sozinho na área.

O Coritiba precisa urgente de um atacante. Faz falta alguém que jogue dentro da área adversária. Enquanto não chega alguém que resolva o problema, Marcel deveria estar jogando no lugar de Everton Costa.

Veja o video com os melhores momentos do jogo.

P.S. A reporter Nadja Mauad comentou durante o jogo que Rafinha pode estar de saída para o futebol chinês. Quando alguém começa a ficar demais no Departamento Médico a gente deve desconfiar.

Os últimos jogos do Coritiba foram:

Coritiba 4×1 Vitória: quartas de final da Copa do Brasil 2012

Coritiba 2×3 Botafogo: 2ª rodada do Campeonato Brasileiro 2012

Coritiba 2×0 Portuguesa: 3ª rodada do Campeonato Brasileiro 2012

Flamengo 3×1 Coritiba: 4ª rodada do Campeonato Brasileiro 2012

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