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Ponte Preta, Cruzeiro, Grêmio e Vasco: uma no cravo, outra na ferradura

Quando a Ponte Preta veio ao Couto Pereira para enfrentar o Coritiba pela 10ª rodada do Brasileirão 2013, vinha como o melhor visitante da competição:

clube jogos pontos aproveitamento vitórias empates derrotas
Ponte Preta 3 6 66,7% 2 0 1
Flamengo 5 8 53,3% 2 2 1
Cruzeiro 4 5 41,7% 1 2 1
Corinthians 4 5 41,7% 1 2 1
Atlético-PR 5 6 40,0% 2 0 3

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Por seu lado, o Coritiba tinha acabado de perder os primeiros pontos em casa ao empatar com o Vitória, deixando de ser 100% como mandante.

Parecia, então, que o alvinegro de Campinas poderia aprontar com o Coritiba, que vinha brigando pela liderança, em terceiro lugar e a um ponto de Botafogo e Cruzeiro.

E aprontou mesmo. Logo no início do jogo Wiliam abriu o placar para a Macaca, dando os primeiros passos para chegar à posição, que hoje ostenta, de artilheiro do Marinzão. Apesar da preocupação da torcida, que eu testemunhei ali apreensivo, no último andar da Arquibancada, o Coritiba trabalhou duro por todo o primeiro tempo, e virou o placar: um gol de Robinho, aproveitando o rebote depois que Chico cabeceou na trave um escanteio cobrado por Alex, e outro de Lincoln, escorando com a cabeça o cruzamento perfeito de Vitor Ferraz, que aproveitou uma “atrasada” errada do zagueiro pontepretano.

O jogo foi pro intervalo e a gente tava lá, se gabando – “acham que vão ganhar aqui? pra cima do Coritiba é que não”, e coisa e tal.

Mas eis que voltaram dos buracos embaixo do campo os jogadores, o 9 da Ponte Preta raivoso após ter sido identificado pelo apelido de Batoré pela Tábata Viapiana em entrevista à beira do gramado para a Rádio CBN logo após o primeiro tempo. Então, a Ponte voltou e tratou de virar o jogo para 3×2 em 4 minutos de bola rolando. Um dos gols também do Wiliam-que-não-é-o-Batoré.

Aí o negócio complicou de vez. Como é que o Coritiba ia virar outra vez? Simples. Falta perto da área, daquele lugar onde Alex cobrando é caixa. A gente já começou a comemorar na arquibancada na hora que ele correu para a bola. Esse gol de empate foi fundamental, e depois foi só o Coritiba fazer mais, para fechar o placar de 5×3 e mostrar quem é que manda no Couto. Mais um de Lincoln e outro de Robinho.

Lincoln foi saudado como craque, como herói, como o nome do jogo. Ganhou um monte de pontos no Bola de Prata da Placar e no Footstats, e a cobrança pra cima de Marquinhos veio forte: “como pode deixar no banco um cara com esta qualidade?”. Bem, eu pensava com meus botões – Marquinhos conhece o material que tem à disposição, e o Lincoln não fica titular porque não engrena uma sequência de bons jogos. Tem também aquela coisa de que um meio de campo com dois veteranos de toque de bola que não marcam e não correm muito torna o time mais vulnerável. Aliás, na metade final do segundo tempo veio a preocupação geral: Alex saiu contundido, e ficaria de fora do jogo contra o Cruzeiro.

A quarta-feira tinha sido uma noite épica, e o jogo de sábado no Mineirão poderia definir o Coritiba como líder, bastando o Botafogo não ganhar do Vasco no domingo.

Mas não era assim que as coisas estavam escritas. O Cruzeiro tem um dos melhores treinadores em atividade no Brasil, como bem sabemos todos nós Coxas, que pudemos recuperar um pouco da autoestima em 2011 e 2012 graças ao Marcelo Oliveira, que colocou o Coritiba como nunca entre os times que disputam os campeonatos de maneira competitiva. Além do técnico, o Cruzeiro também levou nosso melhor meia de 2012: Éverton Ribeiro, comprado por 1/4 do valor que o Cruzeiro recebeu por Montillo, mas jogando mais futebol que a mais cara contratação da história do Santos. Aliás, o Ribery dos trópicos vem merecendo destaque nas avaliações da Placar, e foi mesmo decisivo naquele jogo em que o Coritiba acabou perdendo sua invencibilidade.

Avaliação dos melhores meias do Brasileirão em 12 rodas, pela Placar

Avaliação dos melhores meias do Brasileirão em 12 rodas, pela Placar

Aliás, mais decisivos que o Éverton Ribeiro foram os laterais do Cruzeiro, que são hoje os melhores em atividade no Brasil. Maike pela direita, que fez a jogada do gol, e Egídio pela esquerda, sempre incomodando muito a defesa alviverde. O Coritiba sem Alex perdeu a primeira, e Lincoln foi apagado, mostrando que devem ter mais calma os comentaristas que ficam querendo exigir sua presença. Ele continua sendo um jogador caro, mas que não joga bem sempre – principalmente, não assume a responsabilidade de ser o cérebro do time.

Não que o Coritiba tenha jogado mal em Minas, mas foi muito bem anulado pelo Cruzeiro, que tem um elenco tão bom que tinha jogadores como Borges e Tinga no banco, ou Diego Souza fora por contusão. Terminou a rodada na vice liderança, com o melhor ataque da competição e o melhor saldo de gols.

clube jogos pontos aproveitamento vitórias empates derrotas gols marcados gols sofridos saldo
Botafogo 11 23 69,7% 7 2 2 18 10 8
Cruzeiro 11 21 63,6% 6 3 2 23 9 14
Coritiba 11 20 60,6% 5 5 1 17 12 5
Bahia 11 19 57,6% 5 4 2 13 10 3
Vitória 11 18 54,5% 5 3 3 16 12 4

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O Coritiba tinha que lamber rápido as feridas para ir a Porto Alegre enfrentar o Grêmio, pois era inevitável que um dia caísse sua invencibilidade. Mantida por 10 rodadas do Brasileirão, aquilo já era um recorde histórico para o clube (ou não?). Fizeram muita falta Alex e Deivid, os dois principais goleadores do time. Bill e Keirrison, que vieram ganhando espaço com a contusão do nosso camisa 9, contundiram-se em Belo Horizonte, sem conseguirem ser muito efetivos. Apesar de Keirrison ter acertado uma bola trave, e começar a mostrar que pode voltar a ser um bom jogador, embora seja difícil repetir sua façanha de 2008, quando marcou 41 gols pelo Coritiba na temporada, e foi o primeiro jogador a ser artilheiro do Brasileirão pelo clube (embora dividindo o título com Washington).

Se na 11ª rodada o Coritiba tinha sofrido sua primeira derrota, na 12ª conseguiria sua primeira vitória como visitante. Com a volta de Deivid, que marcou logo no início, aproveitando o ótimo cruzamento de Vitor Ferraz. Daí em diante, o Coritiba só se segurou atrás, e deixou a própria incompetência do Grêmio dar conta do recado. A mesma fórmula que o Vasco usaria no Couto Pereira na 13ª rodada para impingir a primeira derrota ao Coritiba em sua casa neste Brasileirão.

O jogo em Porto Alegre foi uma demonstração de competência tática do Coritiba, conseguindo vencer fora sem Alex. Marquinhos Santos armou um ótimo 3-5-2, pela primeira vez neste Brasileirão, uma coisa que se mostrou muito boa para quem tinha Emerson como zagueiro reserva. Além disso, o meio campo tinha só Wiliam como volante, e Robinho podia criar e subir em velocidade, bem como voltar para marcar. Lincoln novamente não jogou bem, nem Geraldo, que também voltou do Departamento Médico junto com Deivid.

Mas o mesmo 3-5-2 não foi uma boa escolha para o Coritiba enfrentar o Vasco em casa. O esquema foi bom para uma retranca com saída rápida pelos lados contra um time aparvalhado. Mas em casa nem garantiu a segurança defensiva nem permitiu qualidade de armação de jogada ou velocidade de transição para o ataque. Na verdade, o jogo mostrou que talvez Robinho (fora pelo terceiro cartão) seja mais essencial no time que o próprio Alex. É só lembrar que o jogador é o que mais dá assistências, além de fazer gols. Passa bem e com velocidade, e é o único que além de marcar se projeta para receber na frente. Um gigante.

Espantosamente, a Bola de Prata da Placar o coloca em 32º entre os meias, mas o footstats o coloca como 13º entre todos os jogadores do campeonato, mesmo ele perdendo 5 posições por ter ficado a ultima rodada de fora.

Estatísticas de Robinho no footstats após 13 rodadas

Estatísticas de Robinho no footstats após 13 rodadas

A única coisa que dá pra entender esse 3-5-2 em casa é a falta do Robinho, o que levou a tentar um esquema em que se pudesse sair pelos lados. Os três veteranos que deveriam decidir em momentos difíceis não estiveram bem: Alex nem voltou para o segundo tempo, ainda sentindo o tornozelo, e Deivid e Lincoln foram apagados. Alex perdeu um gol na cara do goleiro, mas fez muita falta quando no segundo tempo não estava em campo para bater uma falta da entrada da área, que Lincoln apenas jogou contra a barreira.

Eu estava com meus filhos no estádio, curtindo o dia dos pais. Passei mal durante o jogo e precisei usar pela primeira vez os banheiros do Couto Pereira. São poucos banheiros para muita torcida, não há papel higiênico e faltou água na caixa para dar conta de tanto uso. Minhas crianças, que foram pela primeira vez ao estádio também sentiram o peso de ser torcedor no Brasil: o Heitor disse que o Estádio é muito desconfortável (a arquibancada de cimento descoberta é dura e gelada), e a Mariana achou menos emocionante do que esperava. Emocionada mesmo ela ficou foi de raiva de todos os palavrões que ouviu da horrível torcida, que infelizmente vai mais para xingar e reclamar o que para curtir o jogo ou apoiar o time. Um dia a gente aprende a fazer esse negócio de futebol no Brasil.

Então é isso. O Coritiba não se afastou muito dos líderes, porque Botafogo e Cruzeiro também não venceram seus jogos em casa. Mas logo abaixo tem gente que vem subindo de produção e ganhando consistência.

É preocupante quando se percebe que o time é apenas o 9º colocado quando se computam apenas as últimas 5 rodadas. Corinthians e Atlético PR vem embalados e buscam posições no G4.

clube jogos pontos aproveitamento vitórias empates derrotas gols marcados gols sofridos saldo
Atlético-PR 5 13 86,7% 4 1 0 10 6 4
Corinthians 5 11 73,3% 3 2 0 7 1 6
Cruzeiro 5 10 66,7% 3 1 1 7 3 4
Bahia 5 10 66,7% 3 1 1 8 6 2
Botafogo 5 9 60,0% 2 3 0 9 6 3
Vasco 5 8 53,3% 2 2 1 8 7 1
Ponte Preta 5 8 53,3% 2 2 1 9 9 0
Grêmio 5 7 46,7% 2 1 2 6 4 2
Coritiba 5 7 46,7% 2 1 2 7 6 1

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O Coritiba se aproveitou enquanto os outros times estavam desorganizados. Agora tem que se reinventar para continuar disputando na frente, uma vez que o fator surpresa já se esgotou, e Alex pode não decidir sempre os jogos. O campeonato promete.

 

 

 

 

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