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Coritiba 2×1 Fluminense pela 4ª rodada do Brasileirão 2013: liderança e gol 400 de Alex

Alex comemora (foto ado sítio do Coritiba)

Alex comemora (foto do sítio do Coritiba)

Ontem voltei ao Couto Pereira, depois de longo tempo. Agora como sócio da Arquibancada, o que é também uma coisa que diz muito nestes tempos de novas “arenas” enfeitadinhas e frufruzentas.

Mas está aí o Coritiba na liderança provisória do certame (faltam dois jogos para completar a segunda rodada), e isso não deixa de ser um sinal de que as coisas velhas são as melhores (Coritiba na frente é uma coisa velha, dos tempos em que eu chupava pirulito).

Classificação (print screen da tela do Globo Esporte)

Classificação (print screen da tela do Globo Esporte)

Na verdade, a classificação correta não é bem essa aí, mas não vamos estragar nossa própria festa. Como dois jogos da 2ª rodada não foram ainda realizados, a liderança efetiva dependeria de sabermos os resultados dos jogos de Grêmio e Fluminense que a CBF adiou. Mas como não temos culpa da entidade máxima do futebol brasileiro ser a bosta de bagunça que é, comemoremos.

O Coritiba entrou em campo no Couto Pereira com a seguinte formação, escalada por Marquinhos Santos: Vanderlei; Victor Ferraz, Leandro Almeida, Chico e Diogo; Junior Urso, Gil e Robinho; Alex, Rafinha e Deivid.

Alguém pode apontar aí que organizei errado a escalação, mas já vou me defendendo: o Coritiba não está jogando num 4-4-2 como sempre dizem. E Robinho não atua como volante, não. Alex é atacante no time de Marquinhos, tanto quanto Rafinha. Afinal, ele não volta para marcar, nem para armar, nem para distribuir. Nem em sonho deveria fazer isso. Tem que jogar onde é mais efetivo mesmo, na entrada da área adversária, onde é mais perigoso.

Então é isso. O Coritiba entrou com essa formação, que é o atual time titular, e foi pra cima do Fluminense. Começou dominando o jogo e empolgando a torcida, até marcar o primeiro gol, com Robinho empurrando pra dentro após a assistência perfeita de Alex. Ali começava a se desenhar a heroica vitória sobre o atual campeão brasileiro, que todos os torcedores sonhávamos nos nossos sonhos mais loucos.

O Fluminense que foi superado pelo Coritiba nos minutos iniciais não é o mesmo que venceu o Brasileirão 2012: Fred está na Seleção, Thiago Neves ainda não está jogando em sua melhor forma, Welington Nem foi vendido, e Diego Cavalieri não estava em campo. Mesmo assim, era um Fluminense muito competente e perigoso, que sabe se defender e tem altíssima qualidade no meio de campo e velocidade na transição para o ataque. Faltaria o melhor atacante do Brasil para vencer um jogo como este, como veremos a seguir.

Logo após o gol do Coritiba, o Fluminense empatou em cabeceio do lateral Carlinhos, numa falha de posicionamento da defesa alvi verde.

A partir do gol de empate, o tricolor carioca assumiu as rédeas da partida, controlou a bola e foi mais perigoso sempre. Isso quer dizer, a metade final do primeiro tempo e a inicial do segundo tempo. Nesse momento agônico, alguns jogadores que vinham apresentando um grande futebol caíram de produção por puro nervosismo. Caso de Junior Urso, Gil, Robinho e, principalmente, Victor Ferraz. A torcida começou a pegar no pé, reclamar e xingar os jogadores a cada erro, o que só piorava a situação. Deivid atravessou o campo para vir gritar na orelha do coitado do Victor Ferraz porque ele tinha deixado um cara com camisa de três cores passar nas costas dele pela esquerda do ataque.

Do anel superior eu via uma tragédia se desenhando, pois o Fluminense era senhor do jogo, Rafael Sóbis não é brincadeira, e Wagner comeu a bola. Faltava só alguém capaz de empurrar a bola pra dentro com mais eficiência, e Vanderlei fez umas quatro defesas bem difíceis.

Então Marquinhos Santos resolveu fazer alguma coisa, porque o Coritiba podia continuar segurando a pressão e terminar com um empate que não seria mau negócio a esta altura, pelo futebol apresentado por ambos os times. Primeiro sacou Gil para colocar Botinelli. O argentino tem futebol para ser titular (e foi contratado com este objetivo), mas lembremos que vem de recente recuperação de fratura com cirurgia. Ou seja, tem que ir pegando condições de jogo aos poucos.

Depois, foi a vez de sair Junior Urso para entrar Everton Costa, outro que está fora do gramado há muito tempo, passou por cirurgia e tal.

Apesar de os comentaristas da CBN ficarem dizendo que o técnico era louco, que deixou o Coritiba sem nenhum volante, que ia dar merda, e tal, a gente fica sabendo depois do jogo pelas entrevistas que a leitura do Marquinhos Santos era a seguinte: o Coritiba tinha perdido o meio de campo e a posse de bola, errava muito, e provavelmente ia tomar mais gol (na verdade, foi meio que um milagre que ainda não tinha tomado). A solução era recuperar a posse de bola e o controle das ações. Se você fica com a bola no campo do adversário, que era o que o Coritiba fazia antes de tomar o gol no primeiro tempo, não precisa se preocupar tanto em se defender.

Deu certo, e o Coritiba cresceu pra cima do Fluminense outra vez. A torcida parou de reclamar dos erros dos jogadores, exceto pelo fato de que o mesmo Deivid que queria botar banca no garoto no primeiro tempo, agora fazia cagadas muito piores. Dá pra dizer que o Coritiba jogou o segundo tempo inteiro com 10 jogadores, e tenho certeza que o Marquinhos Santos só não tirou o camisa 9 porque se fizer isso alguma coisa muito ruim deve acontecer nos bastidores. Deivid não acertou rigorosamente nenhuma jogada, e era melhor chutar pra fora do que passar pra ele.

Em algum momento o pessoal percebeu isso e começou a tentar resolver as coisas de outra maneira, principalmente depois que Rafinha atravessou do lado do campo para o meio com a bola no pé, driblando todo mundo e deixando Deivid sozinho com o goleiro, para o atacante chutar uma titica e perder a melhor chance do jogo.

Vendo o Coritiba com a bola no pé outra vez, a torcida começou a empurrar: “ô-ô-ô, vai pra cima deles verdão”. O Couto tremia.

Nesse meio tempo, o Fluminense também fez suas substituições, e começou a recuperar a tenência e equilibrar novamente as ações.

Marquinhos Santos tomou uma última medida para reequilibrar o Coritiba em campo: sacou Robinho e colocou Wiliam. Nosso melhor volante entrou no final porque também está voltando de contusão. Precisa ganhar ritmo. Vai ser fundamental em todo este brasileirão, assim como foi ontem, organizando o time que estava bastante atabalhoado em campo.

E então, lembremos, o Coritiba tinha Alex.

E Alex tabelou com Botinelli, pegou a bola recebida de volta, carregou uns metros, aproximou-se da área e bateu com força.

Pela curva da bola e por ser o goleiro reserva do Fluminense, ela morreu dentro das redes, exatamente como passou pela cabeça de todo mundo na torcida quando vimos o Alex partir com a bola no pé em direção ao gol. Ele nunca faz isso, a não ser quando sabe que é o momento.

E era o momento.

O Couto explodiu, quase caiu na noite fria. Dos 15 mil pagantes, provavelmente quase metade disso estava na arquibancada, para onde Alex partiu em comemoração.

“Ô, o Alex voltou, o Alex voltou, o Alex volto-ôu”

Era o coro da torcida.

E estava selado o destino naquela noite mágica. Eu sabia que não podia perder este momento, e que não teria melhor oportunidade de marcar minha volta às arquibancadas e a este blog, que andou parado desde o ano passado.

As chances do Coritiba para o restante da temporada?

Segurar a primeira posição depois da Copa das Confederações não vai ser tarefa fácil. Há times melhores no campeonato, e o Coritiba vai sofrer muito por não ter alguém para substituir Deivid.

Mas nossa dupla de zaga mostrou que está muito afiada, o meio campo tem muita qualidade, e Diogo estreou mostrando que pode ser a solução definitiva para a lateral esquerda.

Falta a tal “força mental” que Alex falou após a eliminação na Copa do Brasil, o que ficou evidente quando o Coritiba tomou o gol de empate. Emocionalmente, vários jogadores desabaram. Junior Urso, que foi impecável no início (assim como em jogos anteriores), começou  a errar tudo. Victor Ferraz que fez uma brilhante jogada pela lateral direita no primeiro tempo, quase resultando no segundo gol, depois perdeu a confiança de ir ao ataque e passou a errar muito na defesa. Até Robinho e Gil perderam a consistência.

E aí fez falta aquilo que o Alex tem cobrado muito em suas entrevistas: apoio da torcida. As reclamações e xingamentos a cada erro só faziam aumentar o nervosismo. O histórico de cobranças recentes sobre o elenco e o treinador (derrotas consideradas inaceitáveis no Paranaense e na Copa do Brasil e a falta das vitórias esperadas contra Bahia ou Goiás) pesaram muito e a torcida passou a maior parte do tempo afundando o próprio time ao invés de apoiá-lo.

Não que o torcedor não deva cobrar, cornetear. Deve sim, sempre. Mas não durante o jogo. Só depois. Porque jogo só termina quando acaba, e a massa alvi verde iria terminar a noite comemorando glórias jamais vistas em seu estádio, o que tornou ainda mais ridículas as cobranças mesquinhas feitas na hora do entrevero.

Então é isso. Coritiba de volta ao grupo dos melhores times do Brasil, Alex como herói outra vez,  eu de volta à arquibancada e o blog ativo de novo. É a receita certa para dias inesquecíveis e históricos, grandes glórias ou memoráveis fracassos.

Estamos aí pro que der e vier, mas não morreremos sem lutar.

P.S. Veja a Câmera Coxa, com os lances do verdão filmados do chão, e sem narração (se preferir os melhores momentos do Sportv, estão aqui):

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