Archive for the ‘Campeonato Brasileiro 2013’ Category

Ponte Preta, Cruzeiro, Grêmio e Vasco: uma no cravo, outra na ferradura

Quando a Ponte Preta veio ao Couto Pereira para enfrentar o Coritiba pela 10ª rodada do Brasileirão 2013, vinha como o melhor visitante da competição:

clube jogos pontos aproveitamento vitórias empates derrotas
Ponte Preta 3 6 66,7% 2 0 1
Flamengo 5 8 53,3% 2 2 1
Cruzeiro 4 5 41,7% 1 2 1
Corinthians 4 5 41,7% 1 2 1
Atlético-PR 5 6 40,0% 2 0 3

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Por seu lado, o Coritiba tinha acabado de perder os primeiros pontos em casa ao empatar com o Vitória, deixando de ser 100% como mandante.

Parecia, então, que o alvinegro de Campinas poderia aprontar com o Coritiba, que vinha brigando pela liderança, em terceiro lugar e a um ponto de Botafogo e Cruzeiro.

E aprontou mesmo. Logo no início do jogo Wiliam abriu o placar para a Macaca, dando os primeiros passos para chegar à posição, que hoje ostenta, de artilheiro do Marinzão. Apesar da preocupação da torcida, que eu testemunhei ali apreensivo, no último andar da Arquibancada, o Coritiba trabalhou duro por todo o primeiro tempo, e virou o placar: um gol de Robinho, aproveitando o rebote depois que Chico cabeceou na trave um escanteio cobrado por Alex, e outro de Lincoln, escorando com a cabeça o cruzamento perfeito de Vitor Ferraz, que aproveitou uma “atrasada” errada do zagueiro pontepretano.

O jogo foi pro intervalo e a gente tava lá, se gabando – “acham que vão ganhar aqui? pra cima do Coritiba é que não”, e coisa e tal.

Mas eis que voltaram dos buracos embaixo do campo os jogadores, o 9 da Ponte Preta raivoso após ter sido identificado pelo apelido de Batoré pela Tábata Viapiana em entrevista à beira do gramado para a Rádio CBN logo após o primeiro tempo. Então, a Ponte voltou e tratou de virar o jogo para 3×2 em 4 minutos de bola rolando. Um dos gols também do Wiliam-que-não-é-o-Batoré.

Aí o negócio complicou de vez. Como é que o Coritiba ia virar outra vez? Simples. Falta perto da área, daquele lugar onde Alex cobrando é caixa. A gente já começou a comemorar na arquibancada na hora que ele correu para a bola. Esse gol de empate foi fundamental, e depois foi só o Coritiba fazer mais, para fechar o placar de 5×3 e mostrar quem é que manda no Couto. Mais um de Lincoln e outro de Robinho.

Lincoln foi saudado como craque, como herói, como o nome do jogo. Ganhou um monte de pontos no Bola de Prata da Placar e no Footstats, e a cobrança pra cima de Marquinhos veio forte: “como pode deixar no banco um cara com esta qualidade?”. Bem, eu pensava com meus botões – Marquinhos conhece o material que tem à disposição, e o Lincoln não fica titular porque não engrena uma sequência de bons jogos. Tem também aquela coisa de que um meio de campo com dois veteranos de toque de bola que não marcam e não correm muito torna o time mais vulnerável. Aliás, na metade final do segundo tempo veio a preocupação geral: Alex saiu contundido, e ficaria de fora do jogo contra o Cruzeiro.

A quarta-feira tinha sido uma noite épica, e o jogo de sábado no Mineirão poderia definir o Coritiba como líder, bastando o Botafogo não ganhar do Vasco no domingo.

Mas não era assim que as coisas estavam escritas. O Cruzeiro tem um dos melhores treinadores em atividade no Brasil, como bem sabemos todos nós Coxas, que pudemos recuperar um pouco da autoestima em 2011 e 2012 graças ao Marcelo Oliveira, que colocou o Coritiba como nunca entre os times que disputam os campeonatos de maneira competitiva. Além do técnico, o Cruzeiro também levou nosso melhor meia de 2012: Éverton Ribeiro, comprado por 1/4 do valor que o Cruzeiro recebeu por Montillo, mas jogando mais futebol que a mais cara contratação da história do Santos. Aliás, o Ribery dos trópicos vem merecendo destaque nas avaliações da Placar, e foi mesmo decisivo naquele jogo em que o Coritiba acabou perdendo sua invencibilidade.

Avaliação dos melhores meias do Brasileirão em 12 rodas, pela Placar

Avaliação dos melhores meias do Brasileirão em 12 rodas, pela Placar

Aliás, mais decisivos que o Éverton Ribeiro foram os laterais do Cruzeiro, que são hoje os melhores em atividade no Brasil. Maike pela direita, que fez a jogada do gol, e Egídio pela esquerda, sempre incomodando muito a defesa alviverde. O Coritiba sem Alex perdeu a primeira, e Lincoln foi apagado, mostrando que devem ter mais calma os comentaristas que ficam querendo exigir sua presença. Ele continua sendo um jogador caro, mas que não joga bem sempre – principalmente, não assume a responsabilidade de ser o cérebro do time.

Não que o Coritiba tenha jogado mal em Minas, mas foi muito bem anulado pelo Cruzeiro, que tem um elenco tão bom que tinha jogadores como Borges e Tinga no banco, ou Diego Souza fora por contusão. Terminou a rodada na vice liderança, com o melhor ataque da competição e o melhor saldo de gols.

clube jogos pontos aproveitamento vitórias empates derrotas gols marcados gols sofridos saldo
Botafogo 11 23 69,7% 7 2 2 18 10 8
Cruzeiro 11 21 63,6% 6 3 2 23 9 14
Coritiba 11 20 60,6% 5 5 1 17 12 5
Bahia 11 19 57,6% 5 4 2 13 10 3
Vitória 11 18 54,5% 5 3 3 16 12 4

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O Coritiba tinha que lamber rápido as feridas para ir a Porto Alegre enfrentar o Grêmio, pois era inevitável que um dia caísse sua invencibilidade. Mantida por 10 rodadas do Brasileirão, aquilo já era um recorde histórico para o clube (ou não?). Fizeram muita falta Alex e Deivid, os dois principais goleadores do time. Bill e Keirrison, que vieram ganhando espaço com a contusão do nosso camisa 9, contundiram-se em Belo Horizonte, sem conseguirem ser muito efetivos. Apesar de Keirrison ter acertado uma bola trave, e começar a mostrar que pode voltar a ser um bom jogador, embora seja difícil repetir sua façanha de 2008, quando marcou 41 gols pelo Coritiba na temporada, e foi o primeiro jogador a ser artilheiro do Brasileirão pelo clube (embora dividindo o título com Washington).

Se na 11ª rodada o Coritiba tinha sofrido sua primeira derrota, na 12ª conseguiria sua primeira vitória como visitante. Com a volta de Deivid, que marcou logo no início, aproveitando o ótimo cruzamento de Vitor Ferraz. Daí em diante, o Coritiba só se segurou atrás, e deixou a própria incompetência do Grêmio dar conta do recado. A mesma fórmula que o Vasco usaria no Couto Pereira na 13ª rodada para impingir a primeira derrota ao Coritiba em sua casa neste Brasileirão.

O jogo em Porto Alegre foi uma demonstração de competência tática do Coritiba, conseguindo vencer fora sem Alex. Marquinhos Santos armou um ótimo 3-5-2, pela primeira vez neste Brasileirão, uma coisa que se mostrou muito boa para quem tinha Emerson como zagueiro reserva. Além disso, o meio campo tinha só Wiliam como volante, e Robinho podia criar e subir em velocidade, bem como voltar para marcar. Lincoln novamente não jogou bem, nem Geraldo, que também voltou do Departamento Médico junto com Deivid.

Mas o mesmo 3-5-2 não foi uma boa escolha para o Coritiba enfrentar o Vasco em casa. O esquema foi bom para uma retranca com saída rápida pelos lados contra um time aparvalhado. Mas em casa nem garantiu a segurança defensiva nem permitiu qualidade de armação de jogada ou velocidade de transição para o ataque. Na verdade, o jogo mostrou que talvez Robinho (fora pelo terceiro cartão) seja mais essencial no time que o próprio Alex. É só lembrar que o jogador é o que mais dá assistências, além de fazer gols. Passa bem e com velocidade, e é o único que além de marcar se projeta para receber na frente. Um gigante.

Espantosamente, a Bola de Prata da Placar o coloca em 32º entre os meias, mas o footstats o coloca como 13º entre todos os jogadores do campeonato, mesmo ele perdendo 5 posições por ter ficado a ultima rodada de fora.

Estatísticas de Robinho no footstats após 13 rodadas

Estatísticas de Robinho no footstats após 13 rodadas

A única coisa que dá pra entender esse 3-5-2 em casa é a falta do Robinho, o que levou a tentar um esquema em que se pudesse sair pelos lados. Os três veteranos que deveriam decidir em momentos difíceis não estiveram bem: Alex nem voltou para o segundo tempo, ainda sentindo o tornozelo, e Deivid e Lincoln foram apagados. Alex perdeu um gol na cara do goleiro, mas fez muita falta quando no segundo tempo não estava em campo para bater uma falta da entrada da área, que Lincoln apenas jogou contra a barreira.

Eu estava com meus filhos no estádio, curtindo o dia dos pais. Passei mal durante o jogo e precisei usar pela primeira vez os banheiros do Couto Pereira. São poucos banheiros para muita torcida, não há papel higiênico e faltou água na caixa para dar conta de tanto uso. Minhas crianças, que foram pela primeira vez ao estádio também sentiram o peso de ser torcedor no Brasil: o Heitor disse que o Estádio é muito desconfortável (a arquibancada de cimento descoberta é dura e gelada), e a Mariana achou menos emocionante do que esperava. Emocionada mesmo ela ficou foi de raiva de todos os palavrões que ouviu da horrível torcida, que infelizmente vai mais para xingar e reclamar o que para curtir o jogo ou apoiar o time. Um dia a gente aprende a fazer esse negócio de futebol no Brasil.

Então é isso. O Coritiba não se afastou muito dos líderes, porque Botafogo e Cruzeiro também não venceram seus jogos em casa. Mas logo abaixo tem gente que vem subindo de produção e ganhando consistência.

É preocupante quando se percebe que o time é apenas o 9º colocado quando se computam apenas as últimas 5 rodadas. Corinthians e Atlético PR vem embalados e buscam posições no G4.

clube jogos pontos aproveitamento vitórias empates derrotas gols marcados gols sofridos saldo
Atlético-PR 5 13 86,7% 4 1 0 10 6 4
Corinthians 5 11 73,3% 3 2 0 7 1 6
Cruzeiro 5 10 66,7% 3 1 1 7 3 4
Bahia 5 10 66,7% 3 1 1 8 6 2
Botafogo 5 9 60,0% 2 3 0 9 6 3
Vasco 5 8 53,3% 2 2 1 8 7 1
Ponte Preta 5 8 53,3% 2 2 1 9 9 0
Grêmio 5 7 46,7% 2 1 2 6 4 2
Coritiba 5 7 46,7% 2 1 2 7 6 1

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O Coritiba se aproveitou enquanto os outros times estavam desorganizados. Agora tem que se reinventar para continuar disputando na frente, uma vez que o fator surpresa já se esgotou, e Alex pode não decidir sempre os jogos. O campeonato promete.

 

 

 

 

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Tuitando Santos 2×2 Coritiba e o vídeo dos melhores momentos

Ontem tentei acompanhar o jogo só pela internet, já que não estou em Curitiba. Não consegui ouvir nem a 98 nem a CBN pela internet. Então tive que ficar acompanhando pelo “Tempo Real” do Globoesporte.com, ouvindo a CBN São Paulo e ligado no twitter com a busca Coritiba.

Segundo vários comentários foi o melhor jogo do Brasileirão até agora, e todo mundo que estava vendo o jogo estava comentando muito o desempenho do Alex. Para registrar o momento do jogo, coloco abaixo os meus tuítes e os que retuitei durante a partida.

E finalmente, o vídeo com os melhores momentos do jogo:

Coritiba 1×0 Náutico pela 5ª rodada do Brasileirão 2013

Imagem

Foto do sítio do Coritiba (nesta galeria)

Ontem era dia do jogo do Coritiba com o Náutico. O alvi verde vinha de um jogo épico com o Fluminense e estava em primeiro lugar na tabela pelo critério de pontos ganhos.

Domingo de tarde, dia propício para ir com a família. E o Coritiba está com uma promoção: sócios podem levar filhos menores de 12 anos sem pagar ingresso. Eu me esquematizei para ir com as crianças. Depois descobri que neste domingo tinha ainda mais uma promoção: sócio podia levar a namorada. Liguei para perguntar se isso incluía esposa. “Sim, ela é sua namorada, não?” Com certeza, respondi, mas eu prefiro saber bem certo as regras de promoções.

Pra encurtar a história, fomos todos. Era o primeiro jogo das crianças no estádio, e eles estavam bem empolgados com toda a preparação. Só um detalhe: não saímos cedo como deveríamos (quem já tentou se arrumar para sair a família inteira sabe do que estou falando), chegamos muito em cima da hora do jogo, e acho que todas as famílias de Curitiba fizeram o mesmo. A fila para a entrada da promoção das famílias estava quase chegando no Hospital de Clínicas.

Volta todo mundo pro carro – não é dessa vez. Fico só eu para ir no jogo, mas nessa de levar a família até o carro e voltar para o estádio chego com uns minutos de atraso. O jogo já começou. Está 1×0 para o Coritiba. E assim vai até o final.

Podia terminar por aqui a história e dizer que o Coritiba manteve a invencibilidade, 100% em casa e a liderança na tabela por pontos. Enquanto o Fluminense não joga com a Portuguesa não sabemos quem é o líder de fato. Mas nunca é demais colocar o print screen da tabela do Globo Esporte:

tabela após a 5ª rodada do Brasileirão 2013

O time que entrou jogando pelo Coritiba foi o mesmo que entrou contra o Fluminense. Marquinhos Santos mandando. Vanderlei; Victor Ferraz, Leandro Almeida, Chico e Diogo; Júnior Urso, Gil e Robinho; Alex, Rafinha e Deivid. O público foi de 21 mil pessoas, sendo 15 mil pagantes. Diz que entraram 3 mil namoradas na promoção. Apesar do completo vazio na torcida visitante (Curitiba é muito longe do Recife, só os times de São Paulo e Rio Grande do Sul têm torcida forte aqui) e do espaço vazio na curva da Mauá, a arquibancada estava muito lotada. Se tivesse 35 mil torcedores (capacidade máxima) não seria na Arquibancada que estaria mais ninguém.

Eu disse que cheguei um pouco atrasado, e já estava 1×0. Depois descubro que o gol foi aos 55 segundos de jogo. Primeira bola e uma disputa pela meia esquerda. Falta. Cobra Alex. Põe a bola rasteira na entrada da área para Deivid que vem de trás, se antecipa e coloca para dentro. Vi isso só depois em casa, nos vídeos que vão linkados ao final deste post.

Então vi um Coritiba que dominava as ações, ficava a maior parte do tempo com a bola, e não levava perigo atrás. O Náutico parece que tinha vindo só pra se defender, deu um minuto de bobeira e agora estava mais preocupado em não levar mais gol do que em fazer o seu. Foi assim por todo o primeiro tempo.

O Coritiba era senhor da bola só que não conseguia converter o domínio de campo em chegadas com real perigo ao gol do Timbu. A vantagem no placar fazia com que os verdes não tivessem pressa nem afobação de chegar ao segundo gol. Parecia que ele viria ao natural.

Mas não viria.

Para o segundo tempo o Coritiba voltou na mesma toada, mas o Náutico veio equilibrando melhor as ações. Continuava atento atrás, para não tomar gol. Mas agora ficava evidente que uma bola que fosse podia dar o empate heróico aos pernambucanos. Ele quase veio numa jogada em que Chico tentou sair driblando. Era o penúltimo homem, e perdeu a bola. Inda bem que o Leandro Almeida conseguiu recuperar.

Desta vez o desespero não era tanto para Marquinhos tirar os volantes. Sacou Deivid, que jogava bem melhor que contra o Fluminense, e colocou Everton Costa. Talvez devesse ter tirado Rafinha, sempre muito bem marcado pela ponta, e que não conseguiu fazer nenhuma jogada de bom resultado.

Depois tirou Robinho para a entrada de Lincoln. Pela primeira vez, os dois meia-atacantes mais talentos e experientes do Coritiba jogavam juntos. Durante o estadual Marquinhos já tinha dito que os dois não iam jogar juntos, temendo o peso de ter dois veteranos no meio de campo e perder agilidade e/ou velocidade no time. Foi exatamente isso que aconteceu. O pior momento do Coritiba foi com Lincoln e Alex juntos em campo. O time perdeu velocidade na organização de jogadas e na recomposição da marcação. Durou poucos minutos, e logo Marquinhos tirou Alex (que saiu aplaudido) e colocou Botinelli.

Isso melhorou um pouco o desempenho do Coritiba, mas não foi o suficiente para que o time fizesse mais gol. Enquanto isso, continuava pendendo uma espada de dâmocles sobre o líder do campeonato: um ataquezinho miserável do Náutico podia ser o empate – resultado terrível para o mandante. E o Náutico fez alguns ataquezinhos miseráveis, sem conseguir seu gol de empate.

Desta vez o jogo não era tão difícil, e o Coritiba não se desequilibrou todo como fez diante do Fluminense. Mas a vitória também não foi tão épica. Junior Urso e Gil não erraram tanto. Os dois zagueiros continuaram bem seguros, exceto pelo erro quase fatal de Chico. Robinho não se movimentou com tanta eficácia como no outro jogo. Alex e Rafinha não conseguiram furar a marcação. Deivid praticamente “só” fez o gol da vitória. Os que entraram no segundo tempo não fizeram nada de relevante. Victor Ferraz foi mais confiante e jogou bem na defesa e no apoio. Diogo Goiano demonstrou que não está melhor que Denis Neves, o jogador que o Coritiba tinha para a lateral esquerda antes de comprar seu “reforço”. A torcida continua esperando por Abner, que foi destaque na Seleção Brasileira sub-17. Entretanto, se os dirigentes coxas não querem promover afobadamente os piás da base, acabam por deixá-los de lado quando seriam ótima pedida. É incorreto mesmo esperar que a solução do time venha de garotos imberbes, mas num time que já tem bastante gente bem experiente, colocar os mais jovens em uma ou duas posições não seria tão temerário.

Os melhores lances do Coritiba, filmados do chão e sem narração, podem ser vistos na “câmera Coxa” abaixo. Se preferir, os melhores momentos do Sportv estão aqui.

Coritiba 2×1 Fluminense pela 4ª rodada do Brasileirão 2013: liderança e gol 400 de Alex

Alex comemora (foto ado sítio do Coritiba)

Alex comemora (foto do sítio do Coritiba)

Ontem voltei ao Couto Pereira, depois de longo tempo. Agora como sócio da Arquibancada, o que é também uma coisa que diz muito nestes tempos de novas “arenas” enfeitadinhas e frufruzentas.

Mas está aí o Coritiba na liderança provisória do certame (faltam dois jogos para completar a segunda rodada), e isso não deixa de ser um sinal de que as coisas velhas são as melhores (Coritiba na frente é uma coisa velha, dos tempos em que eu chupava pirulito).

Classificação (print screen da tela do Globo Esporte)

Classificação (print screen da tela do Globo Esporte)

Na verdade, a classificação correta não é bem essa aí, mas não vamos estragar nossa própria festa. Como dois jogos da 2ª rodada não foram ainda realizados, a liderança efetiva dependeria de sabermos os resultados dos jogos de Grêmio e Fluminense que a CBF adiou. Mas como não temos culpa da entidade máxima do futebol brasileiro ser a bosta de bagunça que é, comemoremos.

O Coritiba entrou em campo no Couto Pereira com a seguinte formação, escalada por Marquinhos Santos: Vanderlei; Victor Ferraz, Leandro Almeida, Chico e Diogo; Junior Urso, Gil e Robinho; Alex, Rafinha e Deivid.

Alguém pode apontar aí que organizei errado a escalação, mas já vou me defendendo: o Coritiba não está jogando num 4-4-2 como sempre dizem. E Robinho não atua como volante, não. Alex é atacante no time de Marquinhos, tanto quanto Rafinha. Afinal, ele não volta para marcar, nem para armar, nem para distribuir. Nem em sonho deveria fazer isso. Tem que jogar onde é mais efetivo mesmo, na entrada da área adversária, onde é mais perigoso.

Então é isso. O Coritiba entrou com essa formação, que é o atual time titular, e foi pra cima do Fluminense. Começou dominando o jogo e empolgando a torcida, até marcar o primeiro gol, com Robinho empurrando pra dentro após a assistência perfeita de Alex. Ali começava a se desenhar a heroica vitória sobre o atual campeão brasileiro, que todos os torcedores sonhávamos nos nossos sonhos mais loucos.

O Fluminense que foi superado pelo Coritiba nos minutos iniciais não é o mesmo que venceu o Brasileirão 2012: Fred está na Seleção, Thiago Neves ainda não está jogando em sua melhor forma, Welington Nem foi vendido, e Diego Cavalieri não estava em campo. Mesmo assim, era um Fluminense muito competente e perigoso, que sabe se defender e tem altíssima qualidade no meio de campo e velocidade na transição para o ataque. Faltaria o melhor atacante do Brasil para vencer um jogo como este, como veremos a seguir.

Logo após o gol do Coritiba, o Fluminense empatou em cabeceio do lateral Carlinhos, numa falha de posicionamento da defesa alvi verde.

A partir do gol de empate, o tricolor carioca assumiu as rédeas da partida, controlou a bola e foi mais perigoso sempre. Isso quer dizer, a metade final do primeiro tempo e a inicial do segundo tempo. Nesse momento agônico, alguns jogadores que vinham apresentando um grande futebol caíram de produção por puro nervosismo. Caso de Junior Urso, Gil, Robinho e, principalmente, Victor Ferraz. A torcida começou a pegar no pé, reclamar e xingar os jogadores a cada erro, o que só piorava a situação. Deivid atravessou o campo para vir gritar na orelha do coitado do Victor Ferraz porque ele tinha deixado um cara com camisa de três cores passar nas costas dele pela esquerda do ataque.

Do anel superior eu via uma tragédia se desenhando, pois o Fluminense era senhor do jogo, Rafael Sóbis não é brincadeira, e Wagner comeu a bola. Faltava só alguém capaz de empurrar a bola pra dentro com mais eficiência, e Vanderlei fez umas quatro defesas bem difíceis.

Então Marquinhos Santos resolveu fazer alguma coisa, porque o Coritiba podia continuar segurando a pressão e terminar com um empate que não seria mau negócio a esta altura, pelo futebol apresentado por ambos os times. Primeiro sacou Gil para colocar Botinelli. O argentino tem futebol para ser titular (e foi contratado com este objetivo), mas lembremos que vem de recente recuperação de fratura com cirurgia. Ou seja, tem que ir pegando condições de jogo aos poucos.

Depois, foi a vez de sair Junior Urso para entrar Everton Costa, outro que está fora do gramado há muito tempo, passou por cirurgia e tal.

Apesar de os comentaristas da CBN ficarem dizendo que o técnico era louco, que deixou o Coritiba sem nenhum volante, que ia dar merda, e tal, a gente fica sabendo depois do jogo pelas entrevistas que a leitura do Marquinhos Santos era a seguinte: o Coritiba tinha perdido o meio de campo e a posse de bola, errava muito, e provavelmente ia tomar mais gol (na verdade, foi meio que um milagre que ainda não tinha tomado). A solução era recuperar a posse de bola e o controle das ações. Se você fica com a bola no campo do adversário, que era o que o Coritiba fazia antes de tomar o gol no primeiro tempo, não precisa se preocupar tanto em se defender.

Deu certo, e o Coritiba cresceu pra cima do Fluminense outra vez. A torcida parou de reclamar dos erros dos jogadores, exceto pelo fato de que o mesmo Deivid que queria botar banca no garoto no primeiro tempo, agora fazia cagadas muito piores. Dá pra dizer que o Coritiba jogou o segundo tempo inteiro com 10 jogadores, e tenho certeza que o Marquinhos Santos só não tirou o camisa 9 porque se fizer isso alguma coisa muito ruim deve acontecer nos bastidores. Deivid não acertou rigorosamente nenhuma jogada, e era melhor chutar pra fora do que passar pra ele.

Em algum momento o pessoal percebeu isso e começou a tentar resolver as coisas de outra maneira, principalmente depois que Rafinha atravessou do lado do campo para o meio com a bola no pé, driblando todo mundo e deixando Deivid sozinho com o goleiro, para o atacante chutar uma titica e perder a melhor chance do jogo.

Vendo o Coritiba com a bola no pé outra vez, a torcida começou a empurrar: “ô-ô-ô, vai pra cima deles verdão”. O Couto tremia.

Nesse meio tempo, o Fluminense também fez suas substituições, e começou a recuperar a tenência e equilibrar novamente as ações.

Marquinhos Santos tomou uma última medida para reequilibrar o Coritiba em campo: sacou Robinho e colocou Wiliam. Nosso melhor volante entrou no final porque também está voltando de contusão. Precisa ganhar ritmo. Vai ser fundamental em todo este brasileirão, assim como foi ontem, organizando o time que estava bastante atabalhoado em campo.

E então, lembremos, o Coritiba tinha Alex.

E Alex tabelou com Botinelli, pegou a bola recebida de volta, carregou uns metros, aproximou-se da área e bateu com força.

Pela curva da bola e por ser o goleiro reserva do Fluminense, ela morreu dentro das redes, exatamente como passou pela cabeça de todo mundo na torcida quando vimos o Alex partir com a bola no pé em direção ao gol. Ele nunca faz isso, a não ser quando sabe que é o momento.

E era o momento.

O Couto explodiu, quase caiu na noite fria. Dos 15 mil pagantes, provavelmente quase metade disso estava na arquibancada, para onde Alex partiu em comemoração.

“Ô, o Alex voltou, o Alex voltou, o Alex volto-ôu”

Era o coro da torcida.

E estava selado o destino naquela noite mágica. Eu sabia que não podia perder este momento, e que não teria melhor oportunidade de marcar minha volta às arquibancadas e a este blog, que andou parado desde o ano passado.

As chances do Coritiba para o restante da temporada?

Segurar a primeira posição depois da Copa das Confederações não vai ser tarefa fácil. Há times melhores no campeonato, e o Coritiba vai sofrer muito por não ter alguém para substituir Deivid.

Mas nossa dupla de zaga mostrou que está muito afiada, o meio campo tem muita qualidade, e Diogo estreou mostrando que pode ser a solução definitiva para a lateral esquerda.

Falta a tal “força mental” que Alex falou após a eliminação na Copa do Brasil, o que ficou evidente quando o Coritiba tomou o gol de empate. Emocionalmente, vários jogadores desabaram. Junior Urso, que foi impecável no início (assim como em jogos anteriores), começou  a errar tudo. Victor Ferraz que fez uma brilhante jogada pela lateral direita no primeiro tempo, quase resultando no segundo gol, depois perdeu a confiança de ir ao ataque e passou a errar muito na defesa. Até Robinho e Gil perderam a consistência.

E aí fez falta aquilo que o Alex tem cobrado muito em suas entrevistas: apoio da torcida. As reclamações e xingamentos a cada erro só faziam aumentar o nervosismo. O histórico de cobranças recentes sobre o elenco e o treinador (derrotas consideradas inaceitáveis no Paranaense e na Copa do Brasil e a falta das vitórias esperadas contra Bahia ou Goiás) pesaram muito e a torcida passou a maior parte do tempo afundando o próprio time ao invés de apoiá-lo.

Não que o torcedor não deva cobrar, cornetear. Deve sim, sempre. Mas não durante o jogo. Só depois. Porque jogo só termina quando acaba, e a massa alvi verde iria terminar a noite comemorando glórias jamais vistas em seu estádio, o que tornou ainda mais ridículas as cobranças mesquinhas feitas na hora do entrevero.

Então é isso. Coritiba de volta ao grupo dos melhores times do Brasil, Alex como herói outra vez,  eu de volta à arquibancada e o blog ativo de novo. É a receita certa para dias inesquecíveis e históricos, grandes glórias ou memoráveis fracassos.

Estamos aí pro que der e vier, mas não morreremos sem lutar.

P.S. Veja a Câmera Coxa, com os lances do verdão filmados do chão, e sem narração (se preferir os melhores momentos do Sportv, estão aqui):

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