A foto é de Marcelo Andrade, para a Gazeta do Povo.
O Coritiba foi soberano ontem à noite contra o São Paulo. Não foi um jogo bonito, porque o gramado encharcado por vários dias de chuva contínua não permitiu. Mas foi um jogo taticamente perfeito do Coritiba, e com os dois times apresentando o melhor futebol que a metereologia permitiu.
O Coritiba marcou forte o jogo inteiro, e não cometeu erros. Vandereli foi soberbo e fez ótimas defesas sempre que foi exigido. Aliás, eis o time que entrou em campo: Vanderlei; Ayrton, Pereira, Emerson e Lucas Mendes; Wiliam, Sérgio Manoel, Rafinha e Everton Ribeiro; Roberto e Everton Costa. No segundo tempo entraram Gil no lugar de Roberto, Lincoln no de Everton Ribeiro e Rafael Silva no de Rafinha.
O primeiro gol saiu após cobrança de escanteio em jogada inteligente: sabendo que haveria marcação pesada sobre Emerson na área do São Paulo, o Coritiba armou outra estratégia. Emerson posicionou-se fora da área, e a cobrança de escanteio foi um passe curto para Everton Ribeiro na lateral do campo. Enquanto ele caminhou com a bola em direção à área, Emerson entrou sorrateiramente, aproveitando a confusão gerada na defesa do São Paulo. Mesmo sendo o único de verde-e-branco entre vários tricolores, Emerson subiu livre e cabeceou para o gol, contando com o desvio de Rodolfo em seu favor para abrir o placar.
Até o gol, o Coritiba não tinha conseguido dominar a partida, e o São Paulo controlava a bola perigosamente no ataque.
Depois do gol a história do jogo mudou. O Coritiba passou a jogar mais leve, e a ficar mais com a bola. Mais chances começaram a aparecer.
Já no segundo tempo, Roberto driblou todo mundo pela direita, veio carregando a bola e deu um passe na medida para Everton Ribeiro cabecear e fazer o gol que definiu a partida.
Depois disso, Roberto saiu para dar lugar a Gil. O camisa 11 foi talvez o melhor em campo, driblando a defesa do São Paulo inteira umas duas vezes, e ainda vencendo o gramado pesado, fator contrário à sua velocidade. Mas a sua saída foi estratégica: Gil foi fundamental para segurar a pressão que viria do São Paulo, e fez uma competente marcação individual em Fernandinho, atacante que entrou para tentar virar a sorte do jogo.
Comentários sobre a atuação de cada jogador:
Vanderlei foi uma muralha, e garantiu a segurança na retaguarda. O zero no placar são paulino foi mérito dele, em grande parte. Ao menos três defesas muito difíceis.
Pereira e Emerson formaram uma dupla de zaga soberda. É como diz meu amigo Hugo: com Pereira do lado Emerson joga muito melhor. Fato comprovado no jogo de ontem – Pereira organiza a defesa como ninguém, e nisso certamente é superior a Demerson. A experiência do xerifão foi fundamental.
Lucas Mendes tem o defeito de ser desatento em muitos de seus jogos. Ontem foi perfeito. Em cima dele ninguém tripudiou, e Lucas não teve sossego para fazer nenhuma de suas jogadas brilhantes.
Ayrton foi novamente uma grande peça no ataque, nos cruzamentos, nos chutes a gol, em cobranças de falta e, principalmente, tudo isso sem nunca deixar um buraco atrás. Para mim ele é o maior lateral direito jogando no Brasil atualmente.
Wiliam continua sendo a segurança na frente da zaga, com o estilo de quem sabe o que fazer com a bola no pé. Quando ele joga, tudo funciona bem.
Sérgio Manoel confirmou que é o segundo volante que o Coritiba sonhava em ter. Como Leo Gago foi em 2011, só que mais jovam, com mais fôlego e, principalmente, com interesse total sempre. Foi um gigante, correu o suficiente para ir à China e voltar, driblou, carregou a bola da defesa ao ataque, deu passes, segurou a bola quando precisava.
Everton Ribeiro foi talvez o pior em campo, mas deu o cruzamento para o gol de Emerson e fez o segundo de cabeça. Não precisava mais nada.
Rafinha foi tudo que o gramado permitiu. Sem poder usar sua velocidade, mesmo assim incomodou a defesa adversária. Foi o jogador mais decisivo no primeiro tempo, mas perdeu importância na segunda etapa. Sobretudo, sua volta ao elenco foi importantíssima, num momento fundamental. O melhor jogador alvi-verde de 2011 tem tudo para voltar a ser decisivo este ano.
Roberto compensou todos os jogos recentes em que foi fraco. Jogou muita bola, driblou sempre em direção à área adversária, e fez sozinho toda a jogada do segundo gol. Sem ele em campo a história teria sido outra.
Everton Costa não teve importância decisiva em nenhum lance capital, mas brigou muito, incomodou e defesa e se movimentou bem. Gil fechou a zaga quando entrou, e impediu que o São Paulo crescesse na hora decisiva. Lincoln fez exatamente o que era necessário quando entrou – segurou a bola no campo de ataque, cavou faltas e cadenciou o jogo. Rafael Silva quase não pegou na bola, mas foi o gás novo na frente, para fazer o São Paulo se preocupar um pouco com a retaguarda e não ter tranqüilidade para atacar.
Marcelo Oliveira montou a estratégia perfeita, escalou e substituiu corretamente e “pilhou” o time para manter atenção total. Para garantir a posição de melhor treinador da história do Coritiba só falta o título.
O adversário era superior tecnicamente, mas o Coritiba se mostrou mais time. Uma vitória magna que coloca o Coritiba entre os grandes times brasileiros da atualidade. O Coritiba que chega à final da Copa do Brasil 2012 é mais experiente e mais tinhoso que aquele que perdeu para o Vasco em 2011. Tudo pode acontecer numa final, mas estamos muito mais próximos do título do que jamais estivemos.


Publicado por Santos 2×2 Coritiba: 6ª rodada do Campeonato Brasileiro 2012 « Do alto de tantas glórias em 25/06/2012 às 11:25 r r
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